segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Fic: Pessoa

Shipp: Jate
Categoria: 2ª temporada, Missing scene da cena do primeiro beijo (episódio 2x09), Songfic
Capítulos: 1 (One-shot)
Classificação: G
Completa: [x ] Yes [ ] No
Resumo: A fic descreve os sentimentos que se passavam com Jack e Kate quando eles se beijaram pela primeira vez.
Nota da autora: Aproveitando o projeto jate na MPB, resolvi escrever uma songfic com a música “Pessoa”, da Marina Lima.
Veja o vídeo com a canção:
http://www.youtube.com/watch?v=1Fg7xGZM8s4

Kate estava sentada no meio da mata. Estava pensativa, a ilha estava deixando-a louca. Primeiro foi aquela visão estranha do cavalo negro pela manhã, depois, pensou ter visto Wayne lhe atacar por meio de Sawyer, na escotilha. É claro que tinha sido uma alucinação, mas foi tão real que a deixou perturbada.

Kate tinha a cabeça longe quando Jack a encontrou. Ele tinha uma expressão preocupada, estava a sua procura e realmente queria entender porque ela tinha deixado Sawyer doente sozinho e o alarme tocando na escotilha, por causa dos números que ela teria que digitar no computador.

Ela só se deu conta de que tinha largado tudo quando Jack a questionou. Kate imediatamente se desculpou e começou a caminhar. Jack queria saber o motivo de seu pedido de desculpas.

“Sinto não ser tão boa quanto você!” – ela gritava.

Jack se espantou com o tom nervoso de sua voz.

“O que há com você?” – ele gesticulava com as mãos.

Ela já ia fugir quando Jack subitamente a pegou pelo braço. Ela pedia para ele a soltar. Jack a envolveu, segurando ainda mais firmemente. Kate insistia para que ele a largasse, até que deixou-se ser abraçada por ele. Kate chorava e confessava.

“Esse lugar está me deixando louca”.

Jack se compadeceu de seu desespero e procurou confortá-la, dizendo que tudo estava bem. Suas mãos firmes e macias estavam dispostas no ombro dela.

Jack a olhava, sensibilizado com o seu desamparo. Ele estava tão próximo que ela podia sentir a respiração dele. Enquanto Jack disparava palavras de consolo para Kate, seus olhos verdes começaram a fitá-lo. Jack por um instante desviou o olhar, ele estava inquieto, mas ao mesmo tempo queria lhe transmitir segurança.

Olhar você e não saber
que você é a pessoa mais linda do mundo
Eu queria alguém lá no fundo do coração

Kate continuava a olhar, seu semblante parecia entorpecido, era como se toda a loucura e pavor que estava sentindo se dissipasse só de olhar para ele, até que, em um ato impulsivo, tocou a nuca dele, o puxando de encontro a seus lábios. Ela foi rápida. Sem mesmo pensar em mais nada, começou a beijá-lo. Seu beijo era urgente, sedento e ao mesmo tempo, carinhoso.

Há muito tempo ela queria esse beijo, o desejo guardado durante todo o tempo em que eles haviam passado na ilha. Ele por sua vez, correspondia ao beijo dela, talvez o primeiro momento em que deixou a razão de lado e se entregou por um instante a paixão latente que pulsava dentro do peito.

Ganhar você e não querer
É que eu não quero que nada aconteça
Deve ser porque eu não ando bem da cabeça
ou já cansei de acreditar


Seus braços o envolviam. Kate deslizou as mãos, da nuca resolveram se concentrar em tocar o cabelo dele para logo depois acariciarem todo o rosto de Jack, seus dedos dedilhavam delicadamente a face dele, enquanto seus lábios o beijavam repetidas vezes, pausando por segundos para que pudessem recuperar o fôlego.

Depois do intenso momento compartilhado, os dois permaneceram ainda com a fronte encostada até que levantaram o olhar. Quando seus olhos se encontraram, as mãos de Kate ainda tocavam o peito de Jack. Ambos trocaram um olhar penetrante e em silêncio, um terremoto parecia ocorrer por dentro. Jack a olhava de forma surpresa, seus olhos pareciam pular de um lado a outro tentando decifrar a expressão do rosto dela e o que ela estava sentindo. Um misto de confusão e euforia se abateu sobre eles.

Kate se afastou, depois de trocar o primeiro beijo com Jack, ela finalmente caiu em si e se deu conta do que tinha feito. Virou-se imediatamente e deu alguns passos, olhou uma vez para trás, mas não dava para pensar, ela precisava fugir. Nunca que conseguiria lidar com os sentimentos naquela hora que queimavam por dentro e disparavam o seu coração. Por isso, como sempre, fugiu, correu dali, deixando Jack totalmente hesitante, sem saber o que fazer.

O meu medo é uma coisa assim
que corre por fora, entra, vai e volta, sem sair.
Oh não, não tente me fazer feliz
Eu sei que o amor é bom demais
mas dói demais sentir.
Dói demais sentir.


Kate desatou a correr pela mata, acima de tudo ela não estava fugindo mais de Jack do que de si mesma, de seus sentimentos. O beijo era a comprovação de que um sentimento muito forte crescia entre eles, por isso o tormento interior de ambos. Por hora, não dava para encarar. E por esse motivo, continuariam a fingir que nada havia acontecido, por medo da dor da perda, não queriam estragar aquele sentimento verdadeiro que acabaram de descobrir. Era amor.

O meu medo é uma coisa assim
que corre por fora, entra, vai e volta, sem sair.
Oh não, não tente me fazer feliz
Eu sei que o amor é bom demais
mas dói demais sentir.
Dói demais sentir.
Dói demais...
sentir.


FIM.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Fic: Destinos Cruzados - Capítulo 15 (final): Destino encontrado

2007

Parte 1

Lapidus e Sayid trabalham duro consertando o avião. Frank havia passado os últimos meses arrumando o motor, Sayid estava ajudando-o na parte elétrica. Estavam alheios a batalha que acontecia na ilha principal.
-Então Frank, acha que conseguiremos?
-Talvez possamos chegar até alguma ilha asiática, só espero que a máquina agüente as turbulências que teremos que atravessar seguindo as coordenadas corretas.
-Vou dar um pulo na ilha principal para ver se acho mais algumas coisas necessárias para o improviso que farei no painel. – Sayid se dirigiu à canoa, partindo para o local.

Kate corre desvairada pela mata, de repente, sente uma tontura, tropeça e cai. Uma pessoa a ajuda a se levantar.
-Kate? O que está havendo?
-Juliet, que bom te encontrar! Escute-me, preciso de sua ajuda. Jack foi profundamente ferido, ele precisa de cuidados médicos. Por favor, ele está naquela direção, deitado, encostado a uma árvore, tem que me ajudar!
-Claro, eu já vou!
-Mais tarde volto até lá, mas antes preciso encontrar uma pessoa urgente.
Kate então viu outro alguém próximo.
-Claire? O meu Deus, você está viva!
-O que está acontecendo, Kate? Por que Jack foi ferido?
-Está havendo uma guerra. Os outros estão sendo atacados pelo Locke e Ben, juntamente com outros rebeldes comandados por eles. Eles atingiram Jack com uma facada. Juliet, vai logo, não tenho tempo de te explicar tudo!
-Estou indo.
Juliet saiu em disparada seguindo a trilha deixada por Kate. Kate já saia correndo novamente quando Claire lhe dirigiu a palavra:
-Espere, eu vou com você.
-Claire, não é seguro. Há uma batalha acontecendo!
-É por isso mesmo que eu vou até lá. Não quero mais me esconder.

Kate percebeu que ela estava bastante mudada. Em nada lembrava aquela Claire ingênua e assustada, parecia uma guerreira, com armas em mãos e coragem para lutar. As duas voltaram para o meio da confusão. Flechas com fogo, tiros voavam por todos os lados. Kate procurava por Illana, mas estava difícil localizá-la perante aquela multidão. Avistou Richard e perguntou:
-Você viu a Illana?
-Na última vez que a vi, ela foi naquela direção.
Kate correu para lá. Disparou uns tiros naqueles que procuravam impedi-la. Subiu em um morro mais alto e avistou Illana ao longe. A morena lutava bravamente com um grupo de “dissidentes”. Kate resolveu ir até lá.

Enquanto isso...

Juliet corria pela mata quando teve que se esconder: uns “dissidentes” armados passavam pelo local. Atrás do bambu, a loira viu que eles miravam em direção a alguém. Ela olhou mais adiante, tentando observar o alvo e ficou desesperada ao ver que Sawyer estava na mira. Por impulso, Juliet pegou um galho de árvore próximo e deu uma paulada na cabeça dos dois homens.

Sawyer ouviu o barulho de algum tiro por perto e ficou besta ao ver quem o tinha salvo: Juliet. Imediatamente, ele correu em sua direção:
-Não posso acreditar no que vejo...É verdade, Juliet? Blondie?
-Pode acreditar James, sou eu mesma, eu estou viva!
Sawyer a agarrou, dando-lhe um beijo intenso, tocando seus cabelos e seu rosto.
-Como isso é possível?
-Eu não cheguei a morrer com a bomba, os outros me salvaram, mas Jack me disse que você tinha ido embora tentar a sorte lá fora. Só Deus sabe como eu quis ir atrás de você, sair desse lugar, te ver de novo! Pensei que nunca mais te veria!
-Pensei que tivesse te perdido para sempre, sweetheart.
-James, preciso ir, Kate disse que Jack foi gravemente ferido, estou o procurando, ele deve estar por perto.
-Eu vou com você.

Os dois caminharam a passos largos até que avistaram o corpo de Jack desacordado estendido no chão.
-Jack? Consegue me escutar? Jack?
Juliet o sacudia, nenhuma resposta foi obtida.
-Ele está morto? –Sawyer perguntava.
Juliet abaixou a cabeça e tentou ouvir o coração dele.
-Está vivo! Mas está desacordado.
Juliet retirou o pano que cobria a ferida.
-O meu Deus, o corte foi muito profundo. Temo que tenha perfurado algum órgão. Ele está pálido, perdeu muito sangue e se não receber uma transfusão, não vai resistir. Não podemos fazer nada aqui neste lugar, se ao menos os outros não estivessem na batalha, eles poderiam curá-lo. Posso dar um jeito no ferimento, mas ele precisaria de cirurgia, James, não sei como poderei tratá-lo nessas condições.
-Tenho uma ideia, Rose e Bernard. Será que ainda moram por aqui? Eles estavam em uma cabana em 77, será que ainda existe? Fique aqui, enquanto eu procuro, lembro-me que era aqui perto.
Sawyer andou um pequeno trecho até que avistou a cabana.
-Rose? Bernard?
O casal saiu imediatamente ao ouvir o chamado.
-Sawyer?
-Precisamos de ajuda.

Bernard e Sawyer voltaram para onde Juliet estava. Os homens carregaram cuidadosamente Jack e levaram até a cabana. Rose procurava auxiliar Juliet, esquentando água para que ela molhasse o pano limpo e cuidasse da ferida.

Jack estava tremendo e suando de febre, ainda desacordado. Elas tentavam baixar a temperatura, mas por causa da perda de sangue e provável infecção, ele se mantinha febril e começou a delirar.
-Kate...
-Acalme-se Jack, ela logo vai chegar.

Kate desceu o vale em direção a Illana, quando viu que Ben e Locke se aproximaram da morena.
-Então essa é ela, a filha de Jacob? Interessante. –Ben falava com toda a calma do mundo.
-O pai já conseguimos nos livrar, agora nos resta esse empecilho. – fake Locke sorria.
-Não tenho medo de vocês. – Illana desafiava ambos.
-Pois deveria ter!
Illana avançou no fake Locke, que a arremessou com toda a sua força para longe. Mesmo dolorida, ela se levantou e revirava os bolsos. Olhava disfarçadamente para um lado. Kate percebeu e resolveu ir até o local para onde Illana olhava, certamente alguma coisa havia ali. A sardenta andou discretamente e sem fazer barulho. Ao chegar, viu que atrás de uma pedra grande havia um baú prateado: o mesmo que abrigava o corpo do verdadeiro Locke.

Illana notou que Kate estava ali e continuou a mexer nos bolsos. Ela parecia querer transmitir uma mensagem, Kate tentava entender o que ela teria no bolso que se relacionasse com o baú.

Mesmo tendo disfarçado, Ben percebeu o movimento.
-Para onde você está olhando? O que tem lá?
-Você é ridículo, não passa de um mero empregadinho dele? Não consegue ser líder sozinho?
-Calada, sua vadia!
Ben se aproximava de Illana, que lhe deu uma rasteira, fazendo com que ele caísse no chão.
-Precisa arranjar uma namoradinha melhor. – Ela sorriu sarcasticamente para o fake Locke.
Uma fumaça negra se formou ao redor de Illana, de modo que ela não via mais nada alem. A fumaça a cercou e envolveu o seu pescoço. Uma voz ao fundo dizia:
-Agora, Ben, faça o seu trabalho, acabe com ela!
Illana gritou e jogou um isqueiro em direção a Kate:
-Queime o baú! Queime!
Apesar do barulho, Kate ouviu e depressa pegou o isqueiro, abriu o baú e tacou fogo no corpo do Locke morto.

Neste instante, a fumaça começou a se mover velozmente, um vento forte se abateu pelo local, a fumaça negra foi até o céu e em linha reta adentrou pela boca do fake Locke, que gritava. Depois, uma chama tomou conta do corpo dele, até que se dissipasse por inteiro, se reduzindo a cinzas.
Ben observava boquiaberto o acontecimento, Illana aproveitou sua distração e lhe deu um chute, Ben largou a faca. A morena a pegou e cravou na barriga de Ben.
-Isso é por você ter matado Jacob!
Ben caiu no chão, de olhos abertos. Ainda teve tempo de balbuciar umas palavras:
-Os grandes lideres da humanidade morreram golpeados por uma faca, Jacob, Julio Cesar...Você me deu uma morte de líder.
O sangue escorria pela sua boca. Ben então parou de se mexer, mas seus olhos continuavam arregalados.
-Bom trabalho Kate.

Sayid chega na ilha principal e se depara com o cenário de uma guerra. Quase é atingido por uma flecha, mas é salvo por Claire.
-Tome cuidado. Fique com uma arma.
A loira continua na batalha, Sayid a observava admirado. Nem reconhecia a velha Claire de antes, parecia estar diante de Danielle Rosseau.
Sayid estava no meio da multidão quando Kate o encontrou.
-Kate, eu vim até aqui pegar umas poucas coisas para o ajuste final do avião. Está praticamente consertado, logo mais viríamos buscar vocês para partirmos. Mas aí me deparei com essa guerra!
-São os outros e os “dissidentes”, alguns rebeldes que lutam pelo território a mando de Ben e do fake Locke. Eles morreram, Illana acaba de matar Ben e...pode-se dizer que acabamos com a criatura que se apoderava do John. Sayid, tem certeza que o avião está em condições de deixar a ilha?
-Espero que sim.
-Preciso ir. Jack está ferido, ele precisa deixar a ilha urgentemente. Deixei Juliet cuidando dele, mas vou retornar para lá agora.

Sayid e Kate correram para o local onde ela tinha deixado Jack. Bernard estava lá e avisou que eles tinham acolhido Jack em sua cabana. Kate adentrou o local apavorada.
-Como ele está?
-Inconsciente. Kate, fiz o que pude, mas é muito grave, não tenho como curá-lo aqui.
Kate chorava desesperada na beira da cama. Colocou a mão sob a testa de Jack, tocando o seu rosto delicadamente. Depois, pegou na mão dele e disse em seu ouvido:
-Eu estou aqui ao seu lado. E sempre vou estar. Por favor, Jack, não se vá, fique comigo!

Sayid decidiu que a melhor maneira de salvar Jack seria saindo da ilha. Assim, ele, Sawyer, Juliet e Kate resolveram carregá-lo até o barco e levá-lo para a ilhota, Jack teria que embarcar o mais depressa possível.
-Vocês não vem com a gente?
-Muito obrigada, Juliet, mas depois de tanto tempo, aqui é o nosso lar. Estamos no fim da vida, eu e Bernard, não temos mais saúde para enfrentarmos o mundo lá fora. Mas vamos torcer por vocês.
-Obrigada por terem o acolhido aqui.
-Vai em paz, Kate. Cuide do Jack. Vou rezar para que ele se salve.
E assim, o grupo partiu, dando adeus a Rose e Bernard.

Foram para a ilhota. Sayid tratou de fazer os últimos ajustes no avião, juntamente com Lapidus.

Sawyer regressou para a ilha principal, ia resgatar Jin, Sun, Miles, Hurley e quem mais quisesse ir embora da ilha. Apenas algumas pessoas quiseram partir, muitos haviam morrido na guerra e Illana e seus amigos decidiram permanecer na ilha.

Parte 2

Meses depois...

Jack abriu os olhos. Estava deitado, sozinho no meio do mato. Tudo estava extremamente calmo. Os verdes das folhas estavam mais vistosos, as cores lhe pareciam mais intensas. Ele estava na ilha e não entendia o que se passava. Olhou para baixo, tocou o ferimento da facada, mas ele estranhamente não sentia dor. Começou a caminhar, olhando para todos os lados. Viu um vulto mais adiante.

Ao se aproximar, percebeu que aquela pessoa lhe era familiar. O terno bem cortado, os cabelos grisalhos, os tênis que ele havia calçado por não ter sapatos decentes para o funeral: era Christian.
-Pai?
Christian apenas sorriu e continuou caminhando. Jack o seguia até que eles chegaram na cachoeira. Christian parou em um canto, próximo a rocha.
-O que está acontecendo? Eu morri?

Fora da ilha...

Assim que saíram da ilha, Sun e Jin chegaram à Coréia e passaram imediatamente na casa da mãe de Sun. Jin finalmente pode conhecer Ji-Yeon. Ele pegou sua filha no colo e a abraçou, chorando emocionado. Sun abraçou os dois também, enfim sua família estava reunida de novo!

Hurley regressou para a mansão, sendo recepcionado por seus pais calorosos, que o enchiam de beijos, como se ele fosse ainda um menino. Somente pararam com a cena ao ver que não estavam sós. Hurley trouxera Sayid, que iria passar uns tempos hospedado lá até decidir o que fazer da vida.

Miles ficou surpreso ao ir ao banco e ver depositado em sua conta a quantia que tinha pedido a Widmore por ter ido ao cargueiro. Não iria mais continuar com a atividade de vidente, já chega de confusão em sua vida. Iria abrir um negócio juntamente com um sócio, Sawyer.

Sawyer surtou de alegria quando por um acaso foi checar a sua antiga conta bancária que tinha aberto em 77 e verificou que havia um saldo enorme nela. Por ter ficado aplicado durante anos, os investimentos renderam significativamente. Ele estava rico! Mais do que depressa, correu de volta para casa e pediu Juliet em casamento.

Juliet finalmente reencontrou sua irmã e pode conhecer o seu sobrinho pessoalmente. Ela iria abrir a própria clínica de genética, nunca mais aceitaria propostas duvidosas de empresas em que tivesse que se mudar para longe.


Christian apenas olhava para o filho, Jack, emocionado, falava com lágrimas nos olhos:
-Me perdoe, pai. Eu fui muito duro com o senhor, não devia ter contado a verdade sobre a paciente, eles caçaram a sua licença médica. A mãe tem razão, eu deveria ter ficado ao seu lado, te apoiado. Mas eu estava cego, com tanto ódio no coração, com tanta raiva por você estar daquele jeito! Eu sempre te admirei, por isso também me tornei médico. Era insuportável para mim te ver se destruindo, se acabando por causa de um vicio. Somente mais tarde pude perceber o quanto fui imaturo.
Christian colocou as mãos sobre o ombro do filho e finalmente decidiu falar:
-Eu estava em Sidney, num bar, pensando em tudo o que aconteceu na minha vida, todas as minhas escolhas, acertos, erros. Foi então que eu me dei conta de que fui um péssimo pai, ou melhor, eu não fui um pai, nem para você e nem para a sua irmã. Como eu poderia cobrar amor e compreensão por parte de você se eu mesmo não tinha te ensinado isso? Eu percebi que mesmo fazendo de sua vida um inferno em muitas vezes, você se tornou um excelente médico, mais ainda, uma excelente pessoa. Um homem de caráter, nobre, embora sombrio e inseguro. E o pior é que eu contribuí para isso. Talvez o fato de eu estar sempre te cobrando, fez com que você sempre quisesse provar alguma coisa para alguém. Você precisa confiar mais em si mesmo, eu já te disse uma vez.
Jack escutava tudo calado.
-Continuando, eu estava no bar me segurando para não beber, sabe por que? Porque eu queria ligar para você, pedir desculpas, pedir ajuda, quem sabe. Mas eu não tive coragem. Bebi tudo o que tinha para beber. Eu parti sem que pudesse te dizer tudo o que eu queria te dizer.
-E o que você queria me dizer?
-Que eu tenho orgulho de você. Orgulho por você ter se tornado um médico brilhante, até melhor que eu fui em toda a minha vida. Você fez a coisa certa, eu não estava em condições de exercer a profissão. Eu queria tanto ter dito isso a você, agora finalmente nos encontramos e eu pude te dizer. Vou poder descansar em paz.
Christian sorriu e já ia se distanciando, quando Jack o interrompeu:
-Pai, espera, aonde o senhor vai?
-Vou para o meu lugar, para onde eu devo estar.
-E eu? Para onde eu vou?
-Para casa. Você precisa voltar, ainda não é a sua hora. Você ainda tem deveres a cumprir. Kate precisa de você.
Christian deu um abraço apertado no filho.
-Adeus, Jack. Até algum dia.
Dito isso, seu espírito sumiu. Jack estava sozinho novamente. Estava perdido, parecia ouvir vozes ao longe, mas não conseguia escutá-las direito.

Kate arrasta uma cadeira e senta-se ao lado da cama. Pega na mão de Jack, a acariciando. Permanece durante um tempão ali, o olhando até que se levanta e se aproxima de seu rosto. Kate fala baixinho em seu ouvido, suplicando-lhe:
-Jack, por favor, volte! Eu preciso tanto de você! Eu não posso mais agüentar tudo isso sozinha. Não vivo sem você. Não me deixe aqui. Não me deixe, meu amor. Volte.

A voz se tornava mais forte, mas Jack ainda se esforçava para ouvir. Corria desesperado em direção ao som, olhava para todos os lados. Caminhou por mais uns instantes e viu um feixe de luz intenso. Rumou em direção à claridade.

Jack abriu os olhos. Ele estava no hospital, pode reconhecer pelo barulhinho irritante dos aparelhos. Estava um pouco confuso, tinha passado alguns meses em coma. Sentiu alguém segurando sua mão e olhou para baixo. Kate estava debruçada sobre sua cama, ela tinha adormecido sentada na cadeira, segurando a mão de Jack. Ele mexeu a mão, a chamando baixinho:
-Kate...
Kate acordou meio atordoada e levou um susto quando se deu conta de que reconhecia aquela voz.
-Jack? O meu Deus, Jack, você acordou!
Kate chorava de emoção, suas mãos tremiam, ela não conseguia conter-se de tanta felicidade.
-Jack, está tudo bem? Como você se sente?
-Eu voltei por você.
-Eu te amo, Jack.
-Eu te amo! E é muito bom ouvir isso de você.
Kate o beijou carinhosamente. Depois explicou para ele como eles tinham saído da ilha, com o avião consertado. Contou sobre os demais losties, de como todos torciam pela sua recuperação e que a vida de cada um estava muito boa.
-Eu revi o Aaron, ele está tão lindo! Ele me reconheceu, mas já se acostumou com a avó dele. Além do mais, agora ele tem a mãe verdadeira cuidando dele.
-Como assim, Claire, você a achou?
-Ela estava na ilha. Claire sofreu muito, passou anos vivendo sozinha, como Rosseau, mas está bem melhor agora. Ela fez terapia logo quando voltamos, voltou a ser aquela pessoa doce de antes, embora bem mais corajosa! Jack, você tinha que ver como ela lutou na batalha! Consegui cumprir minha promessa com a Sra Littleton, trouxe a filha dela de volta!
-E está tudo bem contigo, Kate? Eu digo, deve ter sido muito doloroso rever Aaron e não poder cuidar mais dele como mãe.
-Não tem problema, Aaron é meu sobrinho. Além do que, não vou nem ter tempo de sentir falta de ser mãe.
Jack a olhou de um jeito confuso.
-Não estou te entendendo.
Foi então que ela pegou a mão dele e a colocou sobre sua barriga.
-Não dá muito para perceber ainda, mas creio que no mês que vem já vai estar um pouco mais saliente.
Jack a olhou admirado. Sorriu e ao mesmo tempo, lágrimas escorreram pelo seu rosto. Estava emocionado. Acabara de voltar à vida e descobriu que ia ser pai. Os dois se abraçaram, Jack se lembrou das palavras de Christian. Então foi por isso que ele lhe dissera que ele ainda tinha deveres a cumprir e que precisava cuidar de Kate!

Enquanto isso na ilha...

Richard e Illana estão sentados diante do mar. Observam o horizonte.
-Sempre pensei que o destino daquelas pessoas terminasse aqui.
-A ilha nos dá a oportunidade de consertarmos nossas vidas. Aquelas pessoas estavam no limite quando caíram aqui, foi como se conseguissem uma segunda chance. Teve gente que agarrou a oportunidade e aproveitou, teve outras que cumpriram o seu propósito e já não tinham mais como evoluírem, por isso se foram desta vida. Outros, ainda não aprenderam e provavelmente voltarão algum dia, para cumprirem sua jornada.
-Era isso que Jacob te dizia, Richard?
-Sim. A vida, assim como tudo na natureza, é cíclica. É constituída de nascimento, crescimento, evolução e morte. Outras pessoas virão para a ilha e tudo recomeçará, pode ter certeza.

E assim, o povoado dos outros continuava a ocupar o local. Prosseguiam com suas vidas, mas sabiam que em algum dia, o ciclo iria recomeçar, seja com um acidente aéreo, com barcos que naufragavam, navios que se perdiam...A ilha permaneceria como esse local mágico, onde milagres aconteciam, pessoas que perderam sua fé a recuperariam, almas perdidas encontrariam redenção e destinos seriam cruzados.

FIM.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Fic: Destinos Cruzados - Capítulo 14( penúltimo): A batalha

Parte 1

2007

Juliet está sozinha na mata. Ela acabou de ter os flashes de épocas distintas: vôo 815 caindo na ilha, ela levando as refeições para Jack no aquário, vivendo em barracas junto com os demais losties, sentada na praia bebendo rum com Sawyer observando o cargueiro explodir, os anos em que viveu junto à Dharma, a bomba, sua quase morte e posterior recuperação em 77. Depois, teve flashes de um outro 2004, em que não houvera queda de avião e ela continuava a ser uma outra, morando na vila.

Ela estava completamente confusa, será que estava louca, foi tudo um sonho? Por que a existência de duas versões de 2004?

Juliet andava pela mata e não avistava mais ninguém. Estava desesperada, pensou que tinha morrido de verdade desta vez. Chamava pelo nome de seus amigos, olhava para todos os lados, nem sinal de uma pessoa. Sentou-se perto do riacho, bebeu um pouco de água e quando levantou a cabeça, levou uma pancada de um galho de árvore. Alguém a arrastou para dentro de um esconderijo e tampou.

Um tempo depois, a loira acordou meio zonza em um lugar escuro. Alguns raios de sol se infiltraram pela tampa de madeira. Ela não sabia onde estava, começou a examinar o local. Era um esconderijo, havia alguns equipamentos estranhos, engenhocas que envolviam eletricidade, algumas roupas femininas espalhadas. Ao virar-se, Juliet levou um susto ao olhar para um semblante conhecido:
-Claire?

Claire a olhou de um jeito esquisito, parecendo não reconhecê-la. Nada dizia, apenas andava de um lado ao outro, parecendo um bicho do mato. Sentou-se em um canto e pegou uma caixinha velha de música e deu corda para tocar. Juliet se aproximou dela com cuidado, ajoelhou-se dizendo:
-Que linda, uma caixinha de música! Posso ver?
Claire olhou para ela e deu um grito, escondendo a caixinha debaixo de uma coberta. Juliet estava horrorizada ao ver a situação, Claire parecia ter enlouquecido. Ela tornara-se uma nova Rosseau, vivendo isolada dentro do antigo esconderijo da francesa.
-Claire, escute, precisamos sair daqui e encontrar os nossos amigos.
-Eles se foram, não tem mais ninguém aqui!
-Então foi aqui que você viveu durante o tempo em que vivemos nos anos 70. Claire, você viu os clarões? O grupo que ficou na ilha, eu inclusive, sentiu os clarões diversas vezes, até que parou e ficamos 3 anos sem termos isso.
-Não vi clarão nenhum. Eu estava dormindo na mata, Sawyer e Miles estavam comigo. Acordei e meu bebê não estava ao meu lado, fui procurá-lo e vi meu pai o segurando. Depois, ele sumiu, corri atrás dele e acabei ficando sozinha. Não tem mais nada aqui, ninguém.
-Que estranho, então você não viajou no tempo como nós.
-Não entendo o que diz, mas acabo de ter umas visões há pouco. Me lembrei de vários momentos que passei na ilha após a queda do avião, depois vieram lembranças do tempo em que vivi sozinha e todos se foram. Os flashes pararam um pouco até que vieram outros, mas desta vez eu vivia fora da ilha em LA.
-Eu também tive esses flashes, o que será que está acontecendo? Vamos sair daqui e procurar o pessoal.
-Não! Não é seguro, não podemos sair, tem perigo lá fora!
-Quem está lá fora? Não vi ninguém.
-Tá lá fora, tá sim. Não podemos sair, não, não!
Claire estava paranóica, de uma hora para outra, parecia sofrer um transtorno até que Juliet conseguiu acalmá-la.
-Está tudo bem, calma.
-Quem é você? O que faz aqui, sai daqui! Sai!

Claire começou a jogar coisas em cima de Juliet e a se debater feito louca. Juliet conseguiu abrir a tampa do esconderijo e finalmente sair. Resolveu continuar caminhando pela ilha, para ver se encontrava alguém.

Jack e o pessoal caminhavam em direção à praia. Chegaram ao antigo acampamento deles, da época em que viveram na ilha logo após a queda do vôo. O local estava abandonado, garrafas de água vazias ainda se encontravam em alguns cantos, lonas velhas que eles usavam para cobrirem as barracas estavam furadas e desgastadas pelo tempo, mas ainda permaneciam lá.
-Lar doce lar. – Jack chega no ponto de sua antiga barraca.
-Tinha me esquecido de como sua barraca era espaçosa. – Kate se aproximou.
-O que? Ah, mas é porque a minha tenda servia ao mesmo tempo de moradia e ambulatório, por isso era a maior.
-Assim é bom, porque pelo menos tem lugar para nós dois agora.
Kate sorriu graciosa para ele, Jack a olhou e retribuiu com um sorriso, meio desconcertado. A espontaneidade e o jeito com que ela flertava com ele o deixava encantado.

-Não posso acreditar nisso, miséria de vida! Eu estava prestes a comprar a minha mansão e agora isso, voltei para meu barraquinho? – Sawyer reclamava, inconformado.
-É cara, não tem jeito, a pessoa é para o que nasce. – Hurley caçoava de Sawyer.

Sayid sentou-se na areia de frente para o mar. Não podia acreditar no que estava vivendo, mas algo lhe dizia que as coisas iriam mudar para melhor dali em diante. Observava o movimento das ondas quando notou alguma coisa dentro da água. Sayid foi até o mar retirá-la, era uma garrafa com algumas coisas dentro. Mais do que depressa, o iraquiano tirou a rolha e pegou os papéis. Ao desenrolá-los, arregalou os olhos surpreendido: pelo que ele se lembrava, era a letra de Faraday.
-Jack!
O doutor ouviu o chamado de Sayid e foi em sua direção.
-Veja se isso não te lembra uma pessoa?
Ao olhar para o papel, Jack ficou besta de ver:
-Daniel? Mas o que é isso?
-Acabo de achar dentro da garrafa trazida pelo mar. Não vi tudo, mas o pouco que vi fala sobre o que acabamos de presenciar. Vou analisar direito e juntar todos os papéis para ver se isso poderá nos ajudar a entender o que está acontecendo.
-Faça isso, Sayid. Vou reunir o grupo para ver se a gente acha comida, água. Precisamos nos alimentar direito, porque depois quero explorar a ilha em busca de respostas. Se descobrir alguma coisa, me dá um toque.

Jack juntou os amigos e eles se dividiram, uma parte ia para um lado e a outra, ia para o lado restante, em busca de suprimentos. Jin, Miles e Sawyer caminhavam recolhendo frutas pelo caminho. Estavam distraídos, quando ouviram um barulho de mato se mexendo. Procuraram se esconder porque estavam desarmados e ao avistarem a pessoa, ficaram boquiabertos.
-Sun?
Jin saiu em disparada ao vê-la.
-Jin? O meu Deus, é você!
Jin e Sun correram imediatamente para os braços um do outro. Pensavam que aquilo era um sonho, 3 anos separados era tempo demais, eles não agüentavam de tanta saudades. Se abraçaram e se beijaram, emocionados.
-Estive procurando você desde que voltei à ilha, mas não o encontrei. O que aconteceu?
-Não me encontrou porque estávamos em época diferente.
Sawyer e Miles a cumprimentaram com um abraço.
-Mas como assim, época diferente? E quanto ao Sayid, Jack, Kate e Hurley, eles voltaram comigo no avião e sumiram?
-Eles também foram parar em 1977. É uma longa história.
Os três tentaram explicar o que se passou, Sun ficou abismada com aquela maluquice.
Eles voltaram para o acampamento. O grupo de Jack voltou alguns minutos depois. Sun relatou o que se passara com ela.
-Enquanto vocês estiveram presos em 77, eu fiquei aqui em 2007, juntamente com as outras pessoas do vôo da Ajira, Lapidus, Ben e Locke.
-Locke? Como assim, ele estava morto, eu mesmo trouxe o caixão comigo no avião! – Jack se surpreende com a notícia.
-Deixe-me explicar tudo. John nos convenceu a ir ao encontro de Jacob. Os outros também foram conosco. Chegando lá, Locke e Ben entraram na estátua para falar com o tal do Jacob, aguardávamos lá fora quando Illana e seu grupo chegaram trazendo um grande baú prateado. Ela abriu e então ficamos assustados com o que havia dentro: o corpo de Locke morto.
-Como isso é possível? Espera aí, o Locke estava ao mesmo tempo vivo e morto? – Kate tentava entender.
-Concluímos que aquele que estava nos guiando não era o verdadeiro Locke, mas sim alguém se apoderando do corpo dele. Quando o indagamos para sabermos o que era essa criatura, vieram os clarões. Logo após os 2 clarões com flashes, Ben e o fake Locke desapareceram. Ninguém mais os viu até que começaram os ataques.
-Ataques? Explique isso, Sun. – Jack se interessava pela história.
-Eu estava vivendo junto com os outros e o grupo de Illana. Nós unimos as forças para nos defendermos. Certo dia, de repente, uma fumaça negra invadiu nosso acampamento, levando consigo algumas pessoas, foi horrível. A única maneira de nos defendermos foi nos escondendo. Não sabemos o que nos atacou, mas Richard tem certeza de que tem a ver com os dois.
-E onde vocês estão acampados?
-Próximo à estátua.
-É melhor irmos até lá amanha cedo então, já que estamos aqui precisamos nos preparar. Estamos desprotegidos, sem armas. É mais seguro ficarmos na companhia dos outros do que aqui sozinhos.
-E quem te garante doc, que vamos estar seguros com os outros?- Sawyer questiona.
-A Sun está ok, nós passamos um tempo no acampamento deles em 77. São pessoas estranhas, mas não temos alternativa a não ser confiar neles.
-O que você acha, Sayid?
-Eu concordo com o Jack. Eles salvaram a minha vida, alem do que, ficar desarmado na ilha é pedir para morrer. Se eles sofreram ataques então não são eles a quem devemos temer.

Era de noite na ilha. Tinha sido um dia exaustivo para todos. O grupo estava reunido na praia, diante da fogueira, enquanto Sayid relatava as teorias de Faraday.
-Daniel acreditava que passamos pelo fenômeno de “universos paralelos”. A vida de uma pessoa pode seguir em tempos diferentes, por isso, uma parte de nós estava ao mesmo tempo em 77 e 2004. Outros casos, como o da Sun, em 2004 e 2007. Ao girar a roda, a linha do tempo sofreu mudanças drásticas, provocando essa confusão toda. Se fossemos pensar em uma metáfora: imaginem um disco, estávamos em uma faixa, alguém esbarrou na agulha e pulamos, indo para a faixa anterior. Uma sucessão de eventos foi necessária para que tudo voltasse ao normal, de certa forma, o que aconteceu antes se repetiu. Somente depois de acontecer de novo, todos os fatos é que a linha do tempo se consertou, mas a partir do momento que a linha voltou aos eixos, esse 2004 paralelo se anula, apesar de lembrarmos do que aconteceu.
-Dude, minha cabeça tá girando. E olha que pensei que eu era louco antes, mas pelo visto, a culpa não é minha, esse lugar pira a cabeça da gente. – Hurley não estava entendendo mais nada.

Após horas e horas tentando compreender o que havia se passado, todos se recolheram em suas barracas. Precisavam descansar, no dia seguinte teriam um longo percurso a percorrer.

Jack e Kate estavam deitados e conversavam:
-Quando falei com Sawyer, antes de ir explodir a bomba, ele me disse que se eu fizesse aquilo nós dois nunca iríamos nos conhecer, você estaria com algemas. Eu disse para ele em resposta: “se for para ser, será”. E não é que mesmo neste outro 2004 que vivemos, acabamos nos conhecendo novamente?
-“Esse é o nosso destino”, você me disse. Agora começo a acreditar.
Kate deu-lhe um beijo suave de boa noite. Se aconchegou nos braços dele e os dois adormeceram.

Parte 2

No dia seguinte...

O grupo rumava em direção à estátua. Caminhavam calados, não queriam se cansar mais, era uma longa caminhada até o local. O sol estava se pondo quando chegaram no acampamento. Richard e Illana avistaram o grupo ao longe. Os dois pegaram a arma, não sabiam ao certo quem estava chegando.
-Quem são eles? – Richard tentava enxergar melhor.
-Aqueles que estão atrás da estatua.
Depois de dizer essas palavras, Illana se lembrou de sua pergunta “quem reside atrás da estátua?” Seriam essas pessoas os seus salvadores?
-Será que são eles “o que” Jacob se referia, aquilo que irá nos salvar? – Richard se recordou dos ensinamentos de Jacob.

Sun explicou para Richard e Illana que aquele era o seu grupo, que originalmente tinha caído na ilha em 2004 e depois em 2007, no vôo da Ajira. Illana olhou para Sayid, questionando onde ele esteve. Eles tentaram explicar a loucura de ter viajado no tempo, Illana achou muito estranho, mas Richard confirmou a história, dizendo que eles se hospedaram em 77 no acampamento dos outros, mas depois sumiram de repente.
-Então vocês pularam daquela época para agora? – Richard parecia pensar com a mesma expressão enigmática de sempre.
-Mas vamos falar do que interessa. Sun nos contou que vocês sofreram ataques recentemente. Tem ideia de quem foi? – Jack foi direto ao ponto.
-Se lembra de que, quando vocês estavam hospedados no nosso acampamento, algumas pessoas foram embora dali? Esse grupo, os chamamos de “dissidentes” foram morar em outra parte da ilha. Acreditamos que eles se juntaram ao Ben e ao fake Locke e nos atacaram.
-Richard, viemos até aqui porque não temos armas, estamos totalmente sem proteção. Se você nos permitir ficar, ajudaremos a lutar contra essa criatura que se apoderou do Locke e seus comparsas. – Jack tinha uma conversa de líder para líder com Richard.
-Jacob os enviou. Tenho certeza de que poderão nos ajudar.

Desta forma, Jack e seu grupo se acomodaram no acampamento dos outros. Era uma situação esquisita, se aliar aos antigos inimigos, mas agora eles notaram que o mal ia alem e precisavam unir forças e se defenderem.

1 dia depois...

Era de tarde. Todos tinham acabado de comer alguma coisa quando Lapidus chegou. O piloto ficou surpreso ao ver Jack e sua turma de volta. Contaram todos os acontecimentos para ele que não sabia se acreditava ou não naquela loucura toda. Frank estava na outra ilhota junto ao avião da Ajira. Passava a maior parte do tempo lá, somente as vezes pegava a canoa e ia para a ilha principal, buscar matéria-prima para a sua reforma. Ele tentava consertar o avião, mas estava difícil, era o único que entendia melhor de mecânica. Sayid prontamente se oferece para ajudá-lo no conserto. Os dois resolveram pegar uns suprimentos e retornar para a ilhota horas depois.

A noite caia sobre a ilha. A maior parte das pessoas tinha ido dormir. O silencio se abateu sobre o local. Tudo estava calmo quando de repente, uma chama caiu, atingindo uma barraca. Os outros rapidamente acordaram todos aos gritos para que se escondessem: estavam sendo atacados.

Hurley corria sem olhar para trás, estava apavorado com as flechas. Sawyer era mais experiente, já tinha sofrido esse tipo de ataque no passado. Jin correu para trás de uma árvore, Miles se escondeu perto de uma pedra, ao redor do acampamento. Jack tentava resgatar o máximo de pessoas possível, Kate o ajudava na empreitada.

Illana atirava para todos os lados, às vezes conseguia atingir em cheio o alvo, mas mirava no escuro, os “dissidentes” atacavam de foram muito rápida. Richard comandava o contra-ataque, orientando os outros com armadilhas. Os dissidentes cercavam o acampamento e começaram a descer o vale, para um confronto direto. Os outros se defendiam como podiam, dando flechadas nos inimigos.

Jack estava em posse de uma arma e atirava nos alvos. Kate fazia o mesmo. Sawyer resolveu lutar no confronto, pegando outra arma e ajudando os amigos. Jin e Sun acolhiam os mais velhos e fracos, os levando para longe da batalha e os escondendo. Hurley não conseguia se mexer, estava paralisado de medo da guerra. Um dissidente o pegou pelos cabelos, ele gritou pedindo socorro. Jack viu que ele estava em apuros e correu para salvar o amigo, atirando no inimigo. Jack resolveu levar Hurley para um local mais afastado, ele sabia que Hurley não ia conseguir fazer nada ali, era melhor escondê-lo. Quando corria de volta para a batalha, ouviu um barulho forte na mata. Jack correu quando viu uma fumaça negra em sua direção, mas infelizmente não conseguiu escapar a tempo: a fumaça o cercou e o arremessou longe.

O corpo de Jack bateu-se contra um tronco de árvore. Jack tentou se levantar, mas estava com o corpo dolorido. Quando olhou para cima, se deparou com um rosto conhecido:
-Jack, há quanto tempo!
Locke o encarava com um sorriso sarcástico.
-Eu te disse para não sair da ilha, mas você saiu e veja só o que aconteceu com seus amigos! Quanta gente morreu por sua causa!
Apesar de ser o corpo de John, Jack notou que ele parecia diferente. O jeito de falar, a postura, o olhar.
-O que você quer, John? Por que ataca essas pessoas?
-Eu mando na ilha agora. Já tenho o grupo que lidero, o resto não me interessa.
Nesse instante, Ben se aproxima.
-Olá, Jack.
Jack se levanta e o questiona:
-Ben, por que está do lado dele, você não sabe que ele não é o verdadeiro Locke?
-É por isso mesmo que eu estou do lado dele. Quem precisa do Locke, um sujeito metido à besta que nem para matar o pai teve coragem? John nunca se sacrificou o suficiente pela ilha, era muito filosófico, com o perdão da palavra.
-E por isso você prefere ser o capacho dessa criatura? Que espécie de líder é você?
-Do tipo que sempre vence. Eu sou o mocinho da história.
-Ben, já sabe o que tem que fazer não é?
-Claro. Com todo o prazer.
O fake Locke deu uma gravata em Jack, enquanto Ben o esfaqueou.
-Sabe que isso até que está ficando divertido, matar lideres! Acabei com John, depois com Jacob, agora você, Jack. JJJ, que bela trilogia!
Jack caiu no chão. O golpe fora certeiro. Com as mãos, tentava encobrir o ferimento.
-Adeus, Jack. Eu falei que você não ia sair da ilha nunca mais.

Ben deu um último olhar para Jack, depois partiu ao lado do fake Locke. Jack estava sozinho no meio do mato. Ele tinha certeza de que chegara a sua hora. Mesmo assim, pegou algumas folhas e retirou com esforço a camiseta, amarrando o ferimento para conter a hemorragia.

Kate estava na batalha. Olhou para todos os lados e notou a ausência de Jack. Foi se afastando aos poucos até que decidiu ir procurá-lo. Estava apreensiva por ele ter sumido e correu desesperada pela mata. Encontrou Miles pelo caminho, que disse que Jack tinha ido na outra direção. Kate corria por entre as árvores até que avistou um corpo estendido no chão.
Seu coração bateu acelerado quando viu que era Jack ali deitado.
-Jack? Por favor, me responda!
-Kate...eu fui atingido pelo Locke e Ben.
-Deixe-me ver o ferimento. O meu Deus! Me diga o que fazer, o que eu preciso pegar para ajudá-lo?
-Kate, escuta. Pelo que entendi, eles estão matando todos os lideres. Eu preciso que vá até lá e procure Illana. Ela pode ser a próxima vítima. Você precisa avisá-la.
-Eu vou, prometo. Mas antes, vou cuidar de você!
-Kate, não dá tempo. É melhor se apressar!
-Eu não vou te deixar, Jack. Não posso.
-Vá Kate, por favor.
-Eu vou buscar ajuda. Jack, agüenta firme!
Jack estava zonzo, tinha perdido muito sangue. Estava quase fechando os olhos, Kate o sacudia.
-Jack? Jack? Não vá, você não pode me deixar aqui sozinha! Eu te amo, sei que nunca te disse, mas é verdade. Eu te amo e não posso viver sem você, portanto, agüente firme! Por mim, por nós, por favor!

Kate chorava desesperada. Tocava o rosto de Jack, procurando acalmá-lo. Depois, saiu correndo. Tinha que buscar ajuda de qualquer jeito. Seu coração estava dilacerado, ela estava prestes a perder o amor de sua vida.

Jack fechou os olhos de vez. As pálpebras pesavam, o corpo doía, ele estava cansado demais. Depois de tanto lutar, não resistiu e caiu em um sono profundo.
CONTINUA...

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Fic: Destinos Cruzados - Capítulo 13: Realinhando o tempo

2004

Daniel e Charlotte estavam juntos desde o reencontro. Não queriam perder tempo, se o destino se concretizasse, ao menos teriam aproveitado suas vidas até o fim. Estavam animados, iriam viajar para a Tailândia em um cruzeiro em alto mar, para passar o Réveillon em grande estilo.

Vestiam roupas elegantes para o baile a bordo e dançavam felizes no salão. Minutos antes, enquanto Charlotte se arrumava, Daniel foi até a proa. Olhou para ambos os lados e viu que ninguém o observava. Retirou uma garrafa que escondia debaixo do paletó e a lançou ao mar.

Após aquele dia no galpão, em que eles tinham reunido todos e contado a verdade, Charlotte resolveu desistir de pensar na história. Ela queria viver a vida intensamente, já que o pessoal não estava disposto a acreditar neles, não queria tornar aquela loucura toda uma obsessão. Queria esquecer da ilha, de linha do tempo, etc. Daniel prometeu que também não iria mais pensar no assunto. Ele até que tentou, mas secretamente, ainda ia para o seu quartinho de estudos e passava horas da madrugada calculando e pensando em teorias.

Daniel reuniu suas anotações e as dobrou, divididas em alguns papéis, enfiando-os dentro da garrafa. Prometeu que no próximo ano, não iria mais querer saber disso. Resolveu jogar suas teorias no mar, pois não teve coragem de queimá-las ou de jogá-las no lixo. Charlotte tinha razão, uma vida inteira dedicada à ciência para que? Para acabar morto e com um plano mal sucedido?

Faltava cerca de uma hora para a meia noite. Dan e Charlotte foram tomar um ar. Seguravam uma taça de champagne nas mãos e riam, conversando sobre coisas banais. Charlotte terminou de beber o conteúdo e dispôs a taça sobre uma mesa. Ao fazer esse movimento, sentiu que o móvel se mexeu.
-Foi impressão minha ou isso tá balançando um pouco?
-Charlotte, é normal em se tratando de navio.
Daniel mal acabou de falar e o barco se mexeu de uma forma mais forte. Os dois ouviram um intenso barulho e um burburinho de vozes vindo de dentro do salão. Voltaram até o local e viram uma movimentação maior por parte dos funcionários. Um ruído de água se tornava mais intenso, o navio começou a tremer de forma significativa. Começou o caos. Uma forte onda chocou-se contra o cruzeiro, fazendo com que o mesmo batesse contra uma rocha e perfurasse a lateral.

A infiltração foi aumentando até alagar vários compartimentos. Não havia escapatória, o navio se afundou, fazendo um número considerável de vitimas: Charlotte e Daniel estavam entre esse número.

Meses depois...

2005

Sun e Jin estavam morando em um bairro mais afastado. Jin estava trabalhando em uma lojinha de importados de um patrício, como a clientela era em sua maioria coreanos, ele se sentia mais à vontade por não ter que falar muito Inglês. Sun estava em casa quando sentiu uma forte dor na barriga. Já estava próximo do bebê nascer, ela decidiu pegar um taxi até o hospital. O médico verificou que em algumas horas, o parto seria realizado. Sun ligou para o celular de Jin avisando.

O coreano saiu feliz da vida da loja. Passou em uma floricultura e comprou um lindo arranjo de flores para levar ao hospital. Chamou um taxi e entrou. O motorista o observava pelo espelho dianteiro. Jin o instruiu a ir em direção ao hospital, mas o homem deu uma arrancada de cantar o pneu. O coreano não estava entendendo mais nada, até que o homem falou:
-Ninguém brinca com o Sr Paik, nem mesmo o genro dele!

Jin ficou pálido na hora, tentou convencer o capanga a deixá-lo ir, mas o homem não tinha intenções de desobedecer a ordem de seu sogro. Sun começou a ficar preocupada com a demora do marido e resolveu ligar novamente. O celular dava só caixa postal. As horas se passaram, ela tinha agüentado até onde deu, mas o bebê queria nascer de qualquer jeito.

Sun deu a luz a uma menina, Ji-Yeon. Sua felicidade só não era completa porque Jin não estava ali ao seu lado. Sua amiga ligava insistentemente, a pedido dela, para o celular de Jin. Ele não atendia. Jin desapareceu, Sun não conseguiu localizá-lo nem mesmo nos dias seguintes.

Enquanto isso...

Locke tinha preparado um jantar romântico para Helen. Estava vestido com esmero. John estava muito nervoso, iria pedir a mão dela em casamento. Não tinha sido a primeira vez, os dois já foram noivos no passado, mas depois de tanta confusão com o pai dele, ela tinha o deixado. Mas desta vez seria diferente.

Helen usava um vestido longo e estava divina. Os dois jantaram, beberam e conversaram. Estavam muito felizes. Helen contava uma história de sua infância quando de repente parou.
-O que foi, algum problema, querida?
-Nada, é que eu senti uma dor terrível na cabeça. Deve ser o vinho. John, acho melhor eu ir descansar um pouco.
Ela levantou-se e caminhou em direção ao quarto, mas antes de entrar no cômodo, pôs a mão na testa e gritou de dor.
-Helen, Helen!
Helen desmaiou. John ficou desesperado, se jogou da cadeira de rodas e sacudia Helen com os braços. Chamou a emergência pelo telefone. Enquanto aguardava na sala de espera, pegou do bolso uma caixinha com o anel que ele iria dar para ela. John olhava a jóia cuidadosamente quando o médico o chamou:
-Sr Locke, eu sinto muito. Nós fizemos o possível para salvá-la, mas ela sofreu um AVC e não mais reagiu. Sinto muito mesmo.
John ficou estático. Colocou as mãos sobre as rodas e saiu em disparada do local. Locke chorava desesperado.
-Seu desgraçado, destino filho da puta! O que você quer de mim? Por que tinha que acontecer de novo? Por que?

Depois de vagar em sua cadeira de rodas sem rumo pelas ruas da cidade, ele voltou para a casa. Pegou uma bebida, tomou o seu conteúdo pela metade e jogou a garrafa na parede. Baixou a cabeça e chorou. Sem pensar, abriu a gaveta e pegou uma arma. Da outra vez, ele iria se matar, mas Ben o impediu para depois assassiná-lo. Mas desta vez, Ben não estava lá. John decidiu voltar ao plano original, colocou o cano da arma dentro da boca e puxou o gatilho.

Juliet tentava mais uma vez em vão assar muffies. Toda a vez que fazia a receita, ou se esquecia de um ingrediente ou deixava os doces assarem tempo demais. Retirava nervosa a fôrma com o conteúdo todo grudado e torrado quando sentiu um abalo muito forte. Saiu de dentro de casa e juntou-se aos outros que já estavam olhando para o céu, na vila que outrora fora da Dharma, mas que naquela época, em 2005, pertencia aos outros.

O vôo 815 não tinha caído, os outros seguiam suas vidas normalmente. Juliet ainda estava lá, Ben não permitia que ela saísse para ver a irmã. Ele tinha saído da ilha por conta do tumor, como Jack não estava na ilha nestes 2004/2005 modificados, Ben teve que operar fora.

Os outros estavam reunidos quando de repente um clarão tomou conta de toda a extensão da ilha.

1978

Todos estão no acampamento. Chove torrencialmente na ilha, é de noite. Sem mais nem menos, parou de chover de repente. Eles saem das barracas e observam o fenômeno.
-Sinistro! – Hurley olha para o céu, incrédulo.
Nesse mesmo instante, a ilha começou a tremer como se fosse um terremoto. Um pouco depois, um clarão intenso se instalou.

Sawyer estava em NY. Estava no banco, iria resgatar uma alta quantia de dinheiro que tinha recebido pelas suas aplicações em investimentos diversos, principalmente ações. Ele já pensava na mansão que pretendia comprar, no Resort que iria abrir, quando de repente tudo ficou branco.

2007

Jack abriu os olhos assustado. Sua respiração estava ofegante. Ele estava deitado no mato, em um lugar afastado. Jack sentou-se, meio tonto e começou a pensar. De repente, sentiu fortes dores na cabeça. Uma sequência de flashes povoou o seu pensamento. Jack começou a se lembrar de tudo: do vôo 815, da queda, da 1ª vez em que esteve na ilha, os meses em que permaneceram nela, a luta pelo resgate, o cargueiro explodindo, o helicóptero de Lapidus, a mentira, o julgamento de Kate, o tempo em que moraram juntos, o pedido de casamento, a briga no aeroporto, Locke no caixão, o vôo 316, os anos 70, a bomba.

Ele gritou de dor, suas mãos cobriam a cabeça. Os flashes tinham parado. Jack suspirou aliviado e sentiu alguma coisa tocar os seus sapatos. Subitamente olhou para baixo: era Vincent, lhe lambendo os pés. Jack fez um afago no cão, que o cheirava, o reconhecendo. Vincent se dipos a correr pela mata, Jack se levantou e foi seguindo o seu rastro. No meio do percurso, ele parou.

De repente, uma outra dor de cabeça insuportável se iniciou, outros flashes vieram no seu pensamento: Sawyer chorando por Juliet, ele tentando salvar Sayid, o acampamento dos outros, a descoberta de Juliet viva, Kate a seu lado na barraca, o vôo 815 novamente, mas sem cair na ilha, o trabalho no hospital, Kate chorando pela sua mãe, Kate fugindo do agente Ed Mars, ele brigando com ela no galpão, Locke lhe contando sobre a ilha, Kate e ele juntos.

Jack voltou ao normal com os olhos arregalados. Estaria ficando louco? Era um sonho? Ele tinha morrido?

Vincent olhava para ele, parado perto de uma arvore. Assim que Jack notou a presença do cão, o mesmo voltou a correr, Jack o perseguiu durante um trecho, até que avistou um corpo caído ao longe. Foi imediatamente em sua direção. Ele pode reconhecer pelos cachos presos em um rabo de cavalo e por aquela silueta que nem se passassem 1000 anos ele se esqueceria: era Kate. Jack imediatamente se ajoelhou, tocando-a cuidadosamente, chamando-a:
-Kate, hei, acorde. Kate?
Finalmente ela abriu os olhos, vagarosamente.
-Jack, isso é verdade ou estou sonhando? Eu senti uma forte dor de cabeça e então, uma serie de imagens passou diante dos meus olhos, da 1ª vez que estivemos na ilha, da 2ª vez, em 1977 no acampamento dos outros. De repente, Jack, vieram lembranças de um outro tempo, como se o avião não tivesse caído, era 2004, eu era uma fugitiva e ... conheci você no hospital, você estava cuidando de minha mãe!
-Kate, tem certeza? Pois eu tive o mesmo flash que você, foi como se tivesse acontecido.
-OMG. Mas se eu e você tivemos o mesmo flash, então não foi sonho, nem algo que inventamos, aconteceu de verdade!
-Como isso é possível, Kate? Como estaríamos ao mesmo tempo em 77 e 2004?
Os dois foram interrompidos.

-Doc? Sardenta? O que, o que vocês estão fazendo aqui? Ou melhor, o que eu estou fazendo aqui?
-Sawyer, você voltou?
-Eu estava em um banco em NY, era para eu ficar rico, como agora eu estou nesta ilha maldita? Que palhaçada é essa?
-Sawyer, por um acaso você também teve flashes?
-Tive lembranças do vôo 815, dos meus tempos na Dharma, daquela bomba idiota, das minhas apostas em Vegas e...ah, deixa para lá.
-O que, por um acaso você se lembrou de 2004, do nosso encontro no bar e depois no galpão?
-É, mas essa parte não foi alucinação da minha cabeça?
-Pois eu também tive o mesmo flash, Jack também teve alguns flashes em comum...
-Peraí, se nós tivemos os mesmos flashes então significa que...
-Que possa ter acontecido de verdade. Como isso é possível? Estávamos ao mesmo tempo em 77 e 2004? E no flash, John sabia, ele tentou nos avisar, mas não demos ouvidos a ele!
-Jack, em que época será que estamos agora?
-Não faço a menor ideia, Kate, mas lembro-me que Faraday me disse que tínhamos que alinhar o tempo. O plano da bomba era para isso. Mas será que deu certo?
-Talvez tenha dado 50% certo, por isso que estivemos em duas épocas distintas em paralelo! – Sawyer tentava compreender aquela situação maluca.

-Socorro! Socorro!
Um grito se alastrava pela mata. Hurley corria e quando se deparou com seus amigos, parou feito uma estátua.
-Pessoal, o que tá acontecendo?
-É o que estamos tentando descobrir, Hurley. Por um acaso você também teve flashes em 77 e 2004?
-Tive, mas pensei que tivesse pirando novamente. Espera, vocês também tiveram?
-Todos nós, Hurley – Kate estava confusa com tudo aquilo.
-Eu também tive. – Miles se juntou ao grupo.
-Eu igualmente - Jin completou.
-Mas que porra é essa? –Sawyer já estava nervoso e inconformado.
Um movimento por trás das arvores os deixou apreensivos. Sayid apareceu, olhando para todos incrédulo.
-Sayid, junte-se a nós. – Jack o chamou acenando com o braço.
-Por um acaso vocês...
-Sim, nós tivemos os flashes, você também pelo visto.
-O mais estranho é que lembrei de 2 épocas diferentes.
-É por isso que estávamos discutindo.

Todos tentavam comparar os flashes e por incrível que pareça, eram compatíveis. Constataram que não era um sonho, que tudo o que viram foi real, eles viveram 2 épocas ao mesmo tempo, em universos paralelos.
CONTINUA...

domingo, 10 de janeiro de 2010

Fic: Preciso dizer que te amo

Shipp: Mevi
Categoria: Actor fic, POV, Songfic
Capítulos: 1 (One-shot)
Classificação: PG-13
Completa: [x ] Yes [ ] No
Resumo: Evi resolve declarar seus sentimentos a Matt
Nota da autora: Ao longo da fic, coloquei alguns números entre parênteses. Estes números referem-se à quotes reais ditas pelos atores, as quais estão indicadas ao final da fic. A música utilizada é “Preciso dizer que te amo”, de autoria de Bebel Gilberto, Dé e Cazuza.

Preciso dizer que te amo – Bebel Gilberto/Cazuza/Dé

http://www.youtube.com/watch?v=VudS00JZH2c&feature=player_embedded

Evi’s Pov

Hoje foi um dia como todos os outros. Eu estava no meu canto, sentada em uma cadeira do set de filmagem, relendo o meu texto. Olhei para o relógio e o pensamento de que ele logo chegaria me veio na cabeça. Mal pude parar de pensar e eis que ele surgiu.

Com seu andar despreocupado, pacato, veio caminhando ao longo do set. Vestia seu jeans e camiseta, usava óculos escuro estilo aviador. Parava ora aqui, ora ali, cumprimentando os colegas de elenco e o pessoal da produção. Deu aquele aperto de mão típico dos homens em Josh e os dois trocaram algumas palavras. Deu um tapinha nas costas em Jorge e foi cumprimentando os demais.

Eu continuava no mesmo lugar, de cabeça baixa, procurando disfarçar o fato de eu estar o observando de longe. Mas por vezes, mantinha um olhar de canto de olho, só para ver onde ele estava no momento. Porém, não demorou muito até perceber que eu estava sendo observada agora. Podia sentir os olhos dele e pressentir seus passos indo em minha direção.

Ao me dar conta disso, resolvi continuar olhando meu script, parte de mim queria imediatamente falar com ele, mas a outra parte, queria evitá-lo. Meu coração está cansado de sofrer, repito para mim mesma que preciso esquecê-lo de vez, mas como? Se todo santo dia eu o vejo? Se praticamente contracenamos juntos quase que o tempo todo?

Matt estava próximo. Olhava em minha direção, sua testa estava franzida, ele tinha pendurado os óculos de sol na gola da camiseta, por isso, seus olhos estavam ainda mais miúdos, tentando se desviar dos raios de sol da manhã.

-Hei – ele disse, já jogando a mochila em uma das cadeiras ao lado.
-Hei, bom dia – respondi com um sorriso tímido. Procurei não iniciar uma conversa, voltei a ler o meu texto.
-Pelo visto vou ter que estudar mais. Você parece bem afiada com o seu texto.
-Hum, hum. Vou gravar cenas difíceis, emocionalmente falando, então, tenho que me preparar.

Ele apenas consentiu com a cabeça e sentou-se na cadeira da frente. Pegou a minha garrafa d’água que estava por perto e já com ela nas mãos, perguntou se podia dar um gole.
-Claro – respondi.
Matt bebeu um pouco e abriu sua mochila, retirando o seu script, juntamente com o Ipod, ligando o aparelho e procurando no playlist o “The National” básico, uma das suas bandas favoritas.
-Não sei como você consegue.
-O que? – ele retirou um dos fones do ouvido.
-Decorar as falas desse jeito, ouvindo música.
-Ah, eu sou movido à música. Logo cedo eu já tenho que escutar alguma coisa (1). Está muito alto, estou te atrapalhando?
-Não, não, tudo bem.

De certa forma, não era a música que estava atrapalhando, mas sim a presença dele me perturbava. Matt sempre estava por perto, isso desde o inicio. Mas com o passar do tempo, meus sentimentos por ele só fizeram aumentar. Quando o conheci, dei graças a Deus por ele ser feliz no casamento, com filhos, porque senão iríamos ficar tentados a ter aquela atração que sempre os atores principais sentem um pelo o outro (2). Na verdade, eu procurei afastar qualquer tipo de sentimento no começo. Porém, nós dois nos demos tão bem logo de cara, nos tornamos amigos. Muito amigos. Como não se apaixonar por alguém incrível que convive comigo o dia todo, me protege mesmo quando eu não percebo, me ajuda, me ensina e ainda por cima é lindo? (3)

Eu mexia o marca texto que tinha nas mãos o tempo todo, mordia a tampa da caneta levemente. Estava tensa. Leio o mesmo parágrafo umas 3 vezes e parece que não li nenhuma vez, tamanha falta de concentração. O silêncio é interrompido por ele.
-Evi, você está bem?
-Estou, por quê?
-Não sei, você está muito quieta hoje. Isso não é o seu estado normal.
-Já falei que estou estudando.
-Parece inquieta e não vira a página há algum tempo.
-Matt! Não acredito que você reparou nisso! Por que não lê o seu texto?
-Eu já li.
-Como? Você sentou aí há pouquíssimo tempo...
-É que dei uma passada de olho rápido, já decorei tudo desde ontém.
-Dãh, seu nerd irritante!

Quando a gente conversa
Contando casos, besteiras
Tanta coisa em comum
Deixando escapar segredos

Por que eu estava fazendo isso? Tinha prometido a mim mesma que não iria mais brincar com ele, não queria mais esse tipo de intimidade. Não podíamos ser mais os hooligans, zoando um com o outro o tempo inteiro (4). Precisava parar com essa dependência, daqui a alguns dias, ele iria embora para o Oregon, com sua família feliz. E nós? E eu? Ficaríamos no passado. Uma onda de tristeza me invadiu com esse pensamento. Meu semblante se fechou, olhei para baixo e fiquei calada.
-O que foi? Você acabou de brincar comigo e de repente ficou triste.
-Você tem razão, não estou legal hoje. Não dormi direito, aliás, não tenho dormido bem há semanas.
-Algum problema? É o Dom?
-Não sou boa em despedidas. Matt, já parou para pensar que daqui a alguns dias tudo isso vai estar acabado?
-Claro que pensei. Vai ser difícil, 6 anos de convivência, de Havaí, de Lost. Depois de anos vivendo o mesmo personagem, todos os dias. Eu sei que vai ser duro. Mas por outro lado, estou ansioso pelo que está por vir. Vai ser um ciclo a ser fechado em nossas vidas.

Ele procurava me confortar, mas não tinha jeito. Eu continuava a não me conformar com o fim. Me deu uma angústia tão grande que meus olhos se encheram de lágrimas.
-Evi, o que é isso, não vai começar a chorar desde já, não é?
-É tudo tão triste. Vai ser devastador. Não estar aqui, não te ver todos os dias... (5) Você vai embora para longe e vai me esquecer.
-Eu não vou te esquecer, hei, pare com isso!
-Vai sim. É como no colégio. Todo o mundo diz que vai manter o contato, mas no fundo, não é verdade. No início, tem os telefonemas, e-mails, etc, mas com o passar do tempo, as ligações ficam espaçadas, todo o mundo só liga no aniversário ou no Natal até que um belo dia, ninguém mais se fala. É horrível pensar que isso vai acontecer conosco!

E eu não sei que hora dizer
Me dá um medo, que medo
É que eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
É, eu preciso dizer que eu te amo tanto

Eu desatei a falar e desisti de conter o meu choro. Estava sensível demais com toda aquela história.
-Vem cá.
Matt me deu um abraço reconfortante. Eu chorava como uma menina nos braços dele. Podia sentir o seu coração batendo e queria que as horas parassem só para que eu pudesse permanecer envolvida por ele, cheirando o seu perfume, sentindo suas mãos deslizando em minhas costas.

E até o tempo passa arrastado
Só pra eu ficar do teu lado


Infelizmente o nosso momento foi interrompido pelo toque do celular dele. Matt atendeu. Era a esposa, pra variar, enchendo o saco. Ele falou com ela durante alguns minutos e desligou. Eu já tinha me recomposto, me dei conta da realidade, por que eu me iludia tanto? Ele começou a falar alguma coisa que tinha acontecido com ele e Marghe, mas nem sei o que era direito, meu ouvido parecia negar todo e qualquer tipo de informação sobre esse assunto.

Você me chora dores de outro amor
Se abre e acaba comigo
E nessa novela eu não quero
Ser teu amigo

Minutos depois, fomos chamados, a gravação iria começar. Passei o dia todo tensa, eu simplesmente não conseguia mais agüentar. O meu amor por ele me sufocava por dentro, isso estava me fazendo mal. Eu precisava falar com ele, precisava contar o que eu sentia.

É que eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
É, eu preciso dizer que eu te amo tanto

Finalmente as filmagens acabaram. Matt gravaria uma cena a mais, com outras pessoas de elenco. Fui para o meu trailer e decidi esperar ele terminar o trabalho. Com um frio na barriga enorme, a cada 5 minutos eu me levantava disposta a ir embora, sem falar nada, para logo em seguida voltar na decisão e tomar coragem novamente.

Ouvi passos ao redor, ele tinha terminado de rodar e caminhava rumo a seu trailer. Em um impulso, corri a chamá-lo.
-Matt?
-Evi, você está aqui ainda? Pensei que tivesse ido embora!
-Eu preciso falar com você. Assunto sério.
-Deixe-me só trocar de roupa e arrumar minhas coisas, aí conversamos.
Assim que ele virou-se de costas, meu coração disparou. Bati com as mãos na cabeça, me xinguei 1000 vezes de estúpida. “Não vou ter coragem, não vou ter coragem”, pensei. “Mas e agora, ele vai vir falar comigo, o que vou dizer?”

Andei de um lado a outro, roí o pouco de unha que me restava até que ele veio em minha direção.
-Ok, estou aqui. Vamos conversar na praia, lá é mais sossegado, seja lá o que você tiver que me contar.
Caminhamos em silêncio, o lugar estava deserto, não tinha mais ninguém por aquelas bandas após as gravações. Andávamos na areia, eu simplesmente não conseguia pensar em um jeito de iniciar a nossa conversa.
-Evi, então? Qual é o tal assunto sério?
Eu só olhei para ele, mas as palavras não chegavam na minha garganta.
-É sobre aquela conversa de hoje de manhã?
Matt me olhava com aqueles olhos encantadores e doces de sempre, ele não estava entendendo mais nada, até que não sei como, uma força de dentro de mim finalmente expulsou o incômodo que me perturbava há anos. E então, eu me declarei.
-Eu te amo!
-Eu sei, eu também te amo e vou sentir saudades de você e de todo o mundo.
-Não Matt, você não entendeu. Não falo como amiga, falo com mulher. Eu te amo de verdade, como uma mulher pode amar um homem.

Eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
Eu preciso dizer que eu te amo tanto

Matt olhou para baixo. Ele não conseguia me encarar depois da bomba que eu atirei sobre ele. Um silêncio se abateu sobre nós naquele momento. Vendo sua confusão interior em digerir minhas palavras, eu continuei a falar.
-Eu sei que não é o momento apropriado para te dizer tudo isso, mas eu precisava. Há anos eu venho carregando esse sentimento dentro de mim, sem contar para ninguém. Acontece que isso está me sufocando e eu precisava dizer.
-Evi, eu estou sem palavras, eu...
Calei os seus lábios com meus dedos.
-Tudo bem, Matt, não precisa me dizer nada. Eu sei que é impossível, sei que você não pode, é casado. Eu só queria que você soubesse. Daqui a alguns dias, nós vamos embora, você vai embora com sua família, eu sei. Mas já que não vamos mais nos ver, pelo menos tive a chance de te contar meus sentimentos. Não pretendo estragar o seu casamento, sei que é feliz e quero que continue sendo. Te amo tanto que só isso, o fato de você estar feliz já é o bastante para mim. Não fique encucado, não se martirize. Vou embora...bem, a gente se vê amanhã, nas gravações finais.
-Evi, espere! Evi!
Saí correndo dali, não dava mais para continuar no mesmo lugar que ele, não conseguiria suportar qualquer palavra que ele tentasse me dizer. Eu sabia que tinha entrado na guerra como perdedora, jamais conseguiria nada de promissor com Matt, romanticamente falando. Mas de alguma forma, eu me sentia aliviada.

No dia seguinte iríamos gravar as últimas cenas. Procurei me concentrar totalmente no meu trabalho. Matt parecia querer conversar comigo o dia todo, mas não dei oportunidade para ele se aproximar sem ser profissionalmente. Eu me cerquei de várias pessoas, não fiquei sozinha por nada desse mundo. Não queria falar com ele sobre “aquele” assunto. Era uma página virada, um capítulo que decidi encerrar na minha vida.

Fim de tudo. Estava acabado. Todas as cenas haviam sido filmadas. Risos, choro, alegrias e tristezas, o elenco todo confraternizando. Abracei todo o mundo e então nos deparamos. Matt tinha entendido meus sinais. Era para fingirmos não ter acontecido nada na noite anterior. Nos abraçamos como antigamente, como os velhos amigos que sempre fomos. Não queríamos que aquela conversa interferisse e nos deixássemos desconfortáveis um perante o outro.

Depois de horas, cada um foi indo embora. A grande festa ficaria para o fim de semana, onde todos os envolvidos estariam presentes, juntamente com seus amigos e familiares. Dom viria, estava para chegar nos dias seguintes. Marghe estaria lá com os filhos, Kyle e Byron, assim como foi na festar do início da série.

Antes de ir embora do set, eu quis caminhar um pouco para espairecer a cabeça. Pensei que ficaria super arrasada com todo o fim, mas por incrível que pareça, eu estava mais serena. Parecia que eu tinha tirado um peso por cima dos ombros. Talvez Matt tivesse razão, seria um novo ciclo de vida que se iniciaria. Olhava para o balançar nervoso das ondas, distraída, quando alguém chamou meu nome. Tremi nas bases: era ele.
-Pensei que você tivesse ido embora.
-Não sem falar com você direito.
-Matt, por favor, não começa. Já falei que não precisa me dizer nada.
-Preciso sim. Já que estamos colocando tudo em pratos limpos, vou falar e você vai ter que me ouvir. Você me deve isso, depois de tudo o que despejou sobre mim ontém.
Mesmo contrariada, resolvi deixar que ele desabafasse.
-Acha que foi fácil para mim ouvir tudo o que você me disse? O mundo pareceu desabar sobre a minha cabeça! Você me pede para não pensar, mas não tive escolha a não ser martelar a noite inteira sobre o assunto. Gostei de você desde que te conheci. Nos demos muito bem desde o começo. Só eu sei o quanto lutei para te considerar apenas como minha amiga e parceira de elenco. Você é linda. Tão linda que é difícil me concentrar quando estou perto de você (6). Pensei que fosse apenas impressão minha quando você me provocava, mas pelo visto não foi. Mas eu não posso e você sabe disso. Nós dois...é impossível. Sou casado há mais de 20 anos. Amo meus filhos. Sou feliz.
-Eu sei disso, por essa razão que eu te disse que você não me deve nada. Mas não importa, está tudo acabado. Não vamos mais nos encontrar, a não ser que, sabe-se lá o que o acaso nos reserva.
-Eu só queria esclarecer as coisas, não queria ir embora sem que tivéssemos essa conversa franca.
-Ok. Então, adeus Matt.

Ele me olhava de um jeito sério. Fiquei esperando ele partir, se despedir, mas ele estava estático. Olhei para ele de volta, meio que o interrogando pelo olhar. E foi então que ele me surpreendeu. Matt pegou o meu braço e me puxou em direção a ele, me roubando um beijo inesperado. Era a primeira vez que nos beijávamos sem estar na pele de Jack e Kate. Nos beijamos de verdade, sem câmeras, sem direção nos instruindo, éramos simplesmente Evangeline e Matthew.

Dessa vez pude sentir sua língua se misturando a minha, seus lábios sugando os meus intensamente, suas mãos tocando o meu rosto, seus dedos se enroscando no meu cabelo. Não havia nenhum “corta” para nos interromper, somente dependia de nós. Pausávamos momentaneamente para recuperar o fôlego e buscar ar, mas mal nos separávamos, colávamos as bocas novamente, nossos lábios pareciam ter um imã que nos atraía de encontro ao outro.

Não sei quanto tempo durou, tudo parecia ter congelado ao redor. Compartilhamos aquele momento, um instante somente nosso. Sabíamos que seria a nossa última chance, a nossa despedida.

A comemoração do elenco seria dali a dois dias, mas provavelmente quase não daria para nos falar. Não como nós costumávamos falar. Marghe estaria presente, Dom estaria também. Não poderíamos ser os hooligans, o captiving e a nutz (7). Seríamos Matthew Fox e Evangeline Lilly, colegas de elenco, par romântico do show, atores dentre os atores de Lost. E talvez, quando nossos pares estivessem distraídos, quem sabe, poderíamos nos permitir uma última troca de olhares, disfarçados, porém radiantes, brilhando ao se lembrarem nostálgicos daquela inesquecível noite na praia.

FIM.

Nota

Quotes reais ditas pelos atores, utilizadas como referêcias:

(1) "I don't go anywhere without my iPod. The first thing I do every morning is put on my music." (Matthew Fox)

(2) "The second most encouraging thing when I met him was to find out that he was happily married with two children, because I think when you are playing romantic leads in a television show together, you always run the risk that real emotions might get involved and come into play. Finding out that he was happily married was so reassuring to me, because I was far from interested in having that very awkward dynamic come into play with my leading man." (Evangeline Lilly)

(3) “He’s been a friend, a mentor, a big brother, a support and a teacher. He’s just really carried me through it”. (Evangeline Lilly)

“You first see him and you go, ‘Wow, you’re a really good-looking guy!’ (Evangeline Lilly)

(4) “We are hooligans, we can be really rude with each other. But our five years friendship allows it.” (Evangeline Lilly)

(5) “I have to savor that for every single day that I'm here. For every single day that I'm on set. Every single day that I get to be working with Matthew Fox cause without him, it’s gonna be damaging”. (Evangeline Lilly)

(6) “She’s so beautiful it’s hard to concentrate around her”. (Matthew Fox)

(7) “He’s a very captivating actor…” (Evangeline Lilly)

“I can say to him “You are dumbass and he will respond: “Yeah and you are completely nuts”. And we would both laugh about it. (Evangeline Lilly)”

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Fic: Destinos Cruzados - Capítulo 12: Reconciliações

1977

Sawyer estava hospedado em um hotel chique de Las Vegas. Ganhou uma boa quantia em dinheiro nos jogos, aplicou o que tinha acumulado em ações de empresas que de fato, começaram a apresentar boa lucratividade no período. Ele sabia que no futuro, tais empresas teriam um boom no mercado. As pessoas achavam que ele era um louco arrojado, depois ficavam admiradas pela sua capacidade de se arriscar em negócios que no fim eram extremamente lucrativos. Mal sabiam elas que ele era do futuro, por isso seus palpites eram certeiros.

2004

Michael está trabalhando em uma obra grande. Estavam construindo um novo shopping Center em LA. Por mais que tentasse durante os meses que se sucederam a sua volta da Austrália se acertar de vez com o filho, Walt estava irredutível. O garoto não queria morar com o seu pai verdadeiro. Michael trabalhava direto para poder sustentar os mimos do filho, que estava sob o cuidado de sua avó, mãe de Michael.

Michael e mais alguns homens estavam colocando o piso de um dos pavimentos da construção, quando de repente, sentiram um abalo. Olharam entre si e resolveram verificar o que era. Iam falar com o mestre de obras quando iniciou-se uma tremedeira no lugar. Dois pilares que sustentavam o teto começaram a rachar. Os pedreiros corriam assustados, Michel estava entre eles. O esforço foi em vão, o teto desabou sob suas cabeças. Michael ficou soterrado, quando o resgate chegou, ele já estava morto.

Claire estava trabalhando em vários empregos. Todos eram bicos, mas o dinheiro que ganhava mal dava para se sustentar. O pior é que não tinha encontrado nenhum casal decente que pudesse entregar Aaron para a adoção. Ela já tinha ido em varias entrevistas, mas agora que o bebê estava maior, já conhecia exatamente o que ele gostava e o que não gostava, logo, tornara-se bem exigente. Não queria confiar seu filho a qualquer um.

Na verdade, Claire estava se apegando a seu filho, embora procurasse negar esse fato para si mesma. Racionalmente, ela não tinha condições de criá-lo. Após arrumar Aaron para levar a um berçário voltado a atender mães carentes, a campainha tocou. Claire ficou pasma ao abrir a porta:
-Mamãe? Como? A senhora tá viva? O meu Deus!
As duas se abraçaram imediatamente.
-Desculpa ter te assustado, mas eu queria fazer uma surpresa. Essa não era o tipo de notícia a se dar por telefone, por isso, perdoe sua tia por não ter te contado antes, eu é que não a permiti. Queria te ver, minha filha!
-Mãe, que saudades! Isso foi um milagre!
As duas foram interrompidas por um choro de bebê. Sra Littleton olhou para Aaron surpresa, mas como o menino era a cara de Claire, nem tinha como ela não presumir que ele fosse seu neto.
-Claire? Esse é seu filho?
-Mãe, é uma longa história.
Claire ficou sem graça pela maneira de sua mãe descobrir Aaron. As duas sentaram e conversaram.
-Isso é um absurdo, Claire! Não, eu não vou permitir que você dê o meu neto para a adoção.
-Mãe, eu não tenho condições de criá-lo!
-Vamos pensar em um jeito, eu vou te ajudar. Agora que acordei depois de meses em coma, tudo o que eu quero é cuidar de você, de nossa família.
Claire sorriu, agradecendo a mãe calorosamente. As duas novamente se abraçaram.
-Já que a senhora está aqui, por favor, pode cuidar dele enquanto eu estiver fora? Preciso ir trabalhar.
-Claro filha, pode ir tranqüila.
O que a senhora Littleton não podia imaginar era que ela teria que cuidar do neto por um longo tempo. Claire saiu, mas não voltou. Desapareceu, ninguém soube o que aconteceu com ela. Apesar de muitos acharem que ela estava morta, sua mãe não desistia de esperar o seu regresso. Todos os dias, passava horas sentada diante da casa, pois acreditava ela, Claire iria voltar.

Jack está em seu apartamento. Não conseguia parar de pensar no dia do galpão. Afinal, quem eram aqueles malucos? Como sabiam da vida de todo o mundo? Jack os considerava como pessoas obsessivas, perigosas talvez. Mas sua razão estava em cheque, ele não podia negar que muitas coisas que eles disseram faziam sentido. Não poderia ser somente coincidência. Eram muitos os fatores envolvidos, como dar uma explicação lógica para tudo? Como se explicava os seus destinos cruzados? Ele conhecia Kate, que por sua vez conhecia Sawyer e Claire. Ele tinha operado Boone, quase marcou encontro com Ana Lucia e o mais estranho de tudo, todos estavam no vôo 815.

Seria uma senhora teoria da conspiração, mesmo se aquelas pessoas fossem loucas, como descobriram tais ligações entre suas vidas? Do nada eles iriam criar essa rede de acontecimentos? Não, aquilo tudo cheirava muito estranho.

Então Jack se lembrou da briga que teve com Kate. Se sentia um estúpido agora, não entendeu por que raios ficou tão ciumento a ponto de perder a cabeça daquele jeito? Ele não fazia ideia do quanto estava envolvido com ela, mas a partir daquela discussão, se deu conta de que o que sentia por Kate era muito forte, intenso, era amor de verdade. Com tanta mulher no mundo, justamente ele foi se apaixonar por ela, complicada, fugitiva, impulsiva, com personalidade forte e independente. Sua liberdade o assustava. Kate não era mulher de se deixar abater por homem nenhum, era como um cavalo indomável que se negava a botar cabresto. Isso ao mesmo tempo lhe era irresistível, um desafio como ele tanto adorava, como era um problema, visto que ele era uma pessoa que gostava de ter tudo sob controle.

Pensou umas 50 vezes antes de agir, mas decidiu ir atrás dela. Já tinha se passado uns meses desde a briga.

Tocou a campainha. Ninguém atendeu, mas ele sabia que ela estava lá dentro porque ouvira barulho de televisão.
-Kate, sou eu, por favor abra a porta, precisamos conversar.
Jack batia insistentemente na porta. Kate não queria abrir de jeito nenhum, estava muito magoada com ele. Mas ela sabia o quanto ele era teimoso e não desistiria até que ela fosse falar com ele. Para que não houvesse escândalos, Kate abriu finalmente a porta.
-O que você quer Jack?
-Preciso falar com você.
-Entra.
Ela fechou a porta com força, estava com a cara aborrecida.
-Kate, me desculpa. Eu fui um completo idiota naquele dia. Eu estava nervoso com aquela situação atípica.
-Você me ofendeu. Foi como se me apontasse o dedo e me chamasse de vadia criminosa.
-Kate, eu me descontrolei, aquele cara tava me provocando.
-E você preferiu acreditar nele do que em mim? Eu te avisei, Jack, que não ia dar certo entre nós. Você é todo certinho, tem uma vida normal, nunca que vai me aceitar.
-Você está enganada Kate. Acha que não te aceito? Depois de tudo o que eu fiz para te proteger? Se eu não te aceitasse, teria te entregado para a polícia faz tempo.
-Não me entregou mas fica me acusando. Me senti julgada quando você disse que desconfiava que aquilo poderia ser armação minha e do Sawyer! Como pode pensar isso de mim?
-Sinto muito. Kate, eu tenho um sério problema de confiança. Eu já fui traído pela minha ex-mulher e desde então, nunca mais consegui confiar plenamente em ninguém. Quando alguém te engana, te machuca, a ferida demora para cicatrizar, mas por mais que se cure, deixa marcas para sempre na gente. Tem razão de ficar brava comigo, eu perdi o controle. Senti ciúmes dele, do jeito que ele te olhou e falou com você. Eu só quero me sentir mais seguro, sabe. Eu sei que você é uma mulher livre, não deve nada a ninguém, não me deve explicações. Mas eu preciso disso de vez em quando, preciso saber se não estou mergulhando de cabeça em uma relação que vai me arrasar, porque eu não vou agüentar isso de novo.

Ele se sentou na beira da cama e ficou cabisbaixo. Kate se ajoelhou perto dele, segurando suas mãos.
-Jack, você precisa confiar mais em mim. Eu saí com aquele homem sim, mas eu ainda não te conhecia. Ele faz parte do meu passado, eu estou com você agora. E espero estar sempre com você.
Jack a olhou com os olhos aflitos e carentes. Ela por sua vez o olhava de um jeito firme. Queria demonstrar para ele todo o seu amor e queria receber de volta, confiança. Kate passou a mão em seu rosto, o beijando calorosamente.
-Kate, me perdoa?
-Claro que sim. Jack, o medo que você sente é o mesmo que eu sinto, mas eu não posso e não quero mais fugir de você.

Ele a calou com um beijo. Eles se beijavam suave e lentamente, depois abriram as bocas e as línguas pareciam duelar. Logo após, ele mordiscava o queixo dela, depois o pescoço. Jack a tocava, os mamilos dela estavam enrijecidos sob a blusa. Entre beijos, carícias, abraços, foram se despindo aos poucos.

As mãos de Jack subiam e desciam sobre as coxas de Kate, até que pararam sobre o seu sexo, seus dedos mergulharam por dentro da calcinha dela e brincaram um pouco com o clitóris. Ela já estava bastante úmida. Kate se livrou da lingerie.

Os dois ficaram frente a frente, Kate enlaçou seus braços ao redor do pescoço de Jack. Ela sentou-se no colo dele, suas bocas se uniram num beijo ardente, seus corpos se esfregavam um no outro até se encaixarem perfeitamente. Ela subia e descia de uma maneira ritmada, enquanto ele ocasionalmente abaixava a cabeça e beijava seus seios com vigor. Aumentaram os movimentos e se entregaram um ao outro por completo.

Naquela noite, queriam fazer as pazes, matar as saudades que sentiram um do outro depois do tempo em que ficaram brigados.

No dia seguinte...

Hospital San Sebastian

Diane obteve uma súbita melhora inexplicável. Acordou do coma, embora ainda dormisse a maior parte do tempo. Estava muito debilitada, seu estado de saúde era preocupante. Jack estava a examinando, queria saber se ela tinha recuperado a consciência, se teve seqüelas pelo tempo em que ficou desacordada, quando ela pegou em sua mão.

Diane falou baixinho, ele se aproximou mais para escutá-la.
-Doutor, preciso de ajuda. Quero falar com meu advogado antes de morrer.
Mais tarde, o advogado falou com a sra Austen. Quando ele saiu da sala, Jack perguntou a ele se ela tinha se expressado corretamente e de forma coerente. Deu a desculpa de que estava checando sua atividade cerebral e função lógica, só para que o advogado lhe contasse o assunto da conversa.
-Ela me disse que vai retirar as acusações contra a filha.
Depois que o advogado foi embora, Jack entrou no quarto.
-Sra Austen, desculpe me intrometer no assunto, mas é verdade que a sra vai retirar a queixa contra a sua filha?
-Sim, é verdade. Eu estou morrendo. Não queria ir embora brigada com ela. Katherine no fundo é uma boa menina, só é valente demais da conta. Fiquei com ódio por ela ter feito o que fez contra o próprio pai, mas eu também fui errada. Menti para ela, que cresceu pensando que um outro homem era o pai dela. Nunca conseguiu lidar direito com essa verdade, ainda mais porque ela me via sofrer na mão dele. Acho que ela só quis me proteger, mas somente agora me toquei disso.
-Se a sra pudesse, gostaria de revê-la pela última vez?
-Claro. Assim quem sabe ela pudesse me perdoar.

Jack saiu da sala correndo e ligou para Kate, dizendo que ele ia apanhá-la dali a alguns minutos. Ela percebeu pelo tom de voz dele que era algo urgente e tratou de se arrumar. Kate se assustou quando viu que ele a trouxera para o hospital.
-Jack, mas e os guardas? Eles podem me prender!
-Isso não vai acontecer, Kate. Sua mãe retirou as acusações.
-O que?
-Hoje de manhã. Ela chamou o advogado e pediu para que ele tomasse as providências legais.
-Ela acordou?
-Ela está consciente e quer vê-la. Por isso eu te trouxe correndo aqui.
Kate o abraçou, as lágrimas escorriam pelo seu rosto.
-Obrigada Jack. Obrigada por tudo!
Ao vê-la entrar no hospital, um policial que estava na viatura lá fora chamou o agente Ed Mars imediatamente.

Kate se aproximou da cama. Suas mãos tremiam, ela estava nervosa. Os últimos encontros com sua mãe não tinham sido nada agradáveis.
-Katherine!
-Mãe, me desculpa. Eu sei que fui uma péssima filha, só te trouxe sofrimento e decepção, me perdoa!
Kate chorava como uma menina. Sua voz sumia por causa do pranto.
-Me perdoa, filha? Eu é que te peço perdão. Retirei as acusações, não quero mais brigar com você. Sinto muito por ter feito você fugir desse jeito, você não merece essa vida de criminosa. Eu sei que você fez o que achou certo para me defender.
-Eu te perdôo, mãe.
-Também te perdôo, filha. Que deus te proteja e que você possa encontrar paz no seu coração.
Diane deu um último olhar para Kate. Elas estavam de mãos dadas, Kate sentiu a mão de sua mãe perder a firmeza. Diane fechou os olhos e a máquina que acusava os batimentos cardíacos mostrava uma linha reta. Uma médica entrou na sala e tentou reanimar a sra Austen, mas ela se fora.

Kate chorava desesperadamente, Jack entrou na sala e a abraçou. Ela soluçava, sua dor era imensurável. Os dois saíram do local, Kate sentou-se na cadeira da sala de espera e Jack foi pegar um copo d’água. Nesse momento, Ed enfurecido, corre em direção à Kate. O agente não se conformava, estava puto da vida que depois de anos de perseguição, as queixas sob Kate tinham sido retiradas. Ele perdera a razão, queria pegá-la de qualquer jeito.
-Sua desgraçada!

Kate levantou os olhos e o viu apontando-lhe uma arma. Ela saiu correndo, ele a perseguiu. O agente, descontrolado, atira em sua direção, Kate corre e desvia-se dos tiros. Uma movimentação de pessoas desesperadas correm pelo hospital, Jack tenta alcançá-los. No instante em que Ed puxa o gatilho, Jack pula em cima dele, o derrubando. O tiro pega no vidro da janela, a arma voa longe. Ed dá um soco em Jack e põe as mãos no pescoço dele com a intenção de enforcá-lo. Kate fica apavorada e pega a arma pronta para atirar no agente, mas nem foi preciso.

Ed soltou Jack e começou a passar mal. Colocou a mão sob o peito e deu um grito de dor, caindo no chão. Ele teve um ataque cardíaco fulminante, morrendo exatamente naquela hora.
CONTINUA...

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Fic: Destinos Cruzados- Capítulo 11: Passado x Futuro

1977

Era noite na ilha. Kate estava sentada em um tronco de árvore. Ela estava quieta. A conversa que teve com Jin no dia anterior lhe trouxera lembranças. Ela sentia saudades de Aaron. Durante 3 anos, Kate cuidou do menino como se fosse sua mãe. “Onde ele estaria agora?” “O que estaria fazendo”, pensava.

Aaron era muito ligado a ela, quando Kate o pegou para criar, ele era um bebê de colo. Ela não fazia ideia de como era ser mãe, não sabia nem trocar fraldas direito, teve que aprender tudo na marra. Mas ela não se queixava, foi uma das melhores experiências de vida que teve.

Quando surgiam problemas, como febres, cólicas noturnas e outras coisas típicas de qualquer bebê, recorria a Cassidy. Ela foi bastante amiga, alem do mais, sabia do segredo de que ele não era seu filho.

Ficou apreensiva só de pensar na reação de Aaron quando acordasse e ela não estivesse por perto. Sua decisão foi radical, deixá-lo na casa da avó sem ao menos lhe contar a verdade antes, mas imaginava que apesar de drástica, tal atitude seria melhor para ambos, assim tanto ela quanto ele não sofreriam na hora do adeus. Se ele a olhasse com aqueles olhinhos de criança inocente, ela jamais teria coragem de abandoná-lo.

Kate tinha esperanças de que com o tempo o menino se acostumasse com a avó e a esquecesse aos poucos, até nem se lembrar direito dela. Chorava ao pensar nisso, mas tinha que ser desse jeito. Ela não tinha o direito de privá-lo de sua verdadeira família, o menino não era um objeto ou um brinquedo que ela pegaria de alguém e depois devolveria. Sua atitude tinha sido um tanto egoísta, pegá-lo para si porque ela precisava dele, mas não se arrependia, apesar do transtorno que causou.

Uma tristeza invadia o seu coração, dor, aperto, falta do menino. Depois, se deu conta de que estava em 77 e não em 2007. Era uma situação para lá de peculiar, Jack tinha razão em estar preocupado. Aquilo tudo era loucura demais para a cabeça de qualquer um. Se eles não conseguissem consertar o tempo, tudo o que tinham vivido dali a 30 anos, não aconteceria.

Kate estava longe em seus pensamentos quando sentiu alguém cobrindo suas costas com um cobertor.
-Está um pouco frio aqui fora, é melhor se aquecer.
Jack notou que ela estava triste, por isso, nem tentou puxar conversa para não aborrecê-la. Apenas sentou-se ao seu lado e segurou suas mãos delicadamente. Ficou ali parado, quieto, mas sua presença indicava que ele estava ao lado dela, a confortando em uma hora difícil.

Todos estavam muito cansados de tudo aquilo, tanta luta, perdas, esforço para ficarem presos no tempo sem ao menos saberem o que fazer? A cada dia, a esperança minava, a paciência se esgotava e dava lugar a um sentimento de impotência. Queriam sair dali, gritavam por dentro, mas não faziam ideia de como consertar o tempo.

2004

Locke, Faraday e Charlotte tomaram uma decisão: iriam juntar os sobreviventes do vôo 815 para explicarem suas descobertas. É claro que não seria tarefa fácil, ninguém iria comparecer em um local atendendo um chamado de 3 estranhos.

Eles queriam entender o porquê de tudo isso estar acontecendo, por mais que tivessem pensado e discutido o assunto por dias, não chegaram a uma conclusão. Quem sabe, com todos reunidos, poderiam traçar um plano que mudasse o futuro deles. Locke pesquisou o paradeiro de cada um e bolou uma mentira que os levasse para o mesmo local.

Quando Jack estava saindo do hospital, Locke apareceu para ele, desesperado, dizendo que tinha um filho que acabara de ser baleado e precisava de cuidados médicos, mas que não podia ser levado ao hospital para não ter encrencas com a polícia. Jack resolveu ajudá-lo, seguindo Locke até um galpão. Chegando lá, ele fechou a porta, deixando Jack sem saber onde estava, achando que tinha sido seqüestrado.

No caso de Kate, descobriu o seu paradeiro quando em outro dia, havia seguido Jack e ficado de sentinela no carro quando viu Kate abrir a porta para ele.

Locke foi até o hotel em que ela estava e disse que sabia de tudo sobre ela e se não o acompanhasse, ele a entregaria para à polícia. Kate não teve outra alternativa a não ser ir com ele para o local.

Jack gritava e batia na porta de aço do galpão, procurando um jeito de fugir dali quando viu que uma outra pessoa também foi deixada no local.
-Kate?
-Jack? O que está fazendo aqui?
-Eu é que te pergunto.
-Um velho careca apareceu no hotel e me chantageou, dizendo que se eu não o acompanhasse, ele me levaria à polícia.
-Que estranho, pois esse mesmo velho me contou uma história que o filho estava ferido e precisava de socorro.
-Jack, será que foi o Ed, o agente que me persegue? Será que ele armou essa cilada para a gente?

Sawyer estava em um bar. Bebia e dava umas tragadas no cigarro quando foi abordado.
-Eu sei onde está o cara que você procura. Vou te levar até ele. Me acompanhe.

Kate e Jack observavam cada pedaço do galpão, tinham que fugir daquele lugar, quando ouviram um barulho mais adiante: outra pessoa entrou no recinto.
-Sawyer?
-Ora ora, vejam só se não é a linda sardenta!
Jack imediatamente olhou para ele com cara feia.
-Quem é esse cara, você o conhece?
-Conhece? E como ela me conhece, diria que ela desfrutou cada pedacinho disso aqui.
Sawyer sorria de um jeito malicioso e olhava para Kate. Ela ficou totalmente sem graça e desconfortável com a situação.
-Jack, vamos conversar.

Os dois se afastaram de Sawyer. O loiro observava a conversa de longe, curioso, mas pelo jeito que eles gesticulavam, provavelmente estavam brigando.
-Jack, me escuta, eu conheci esse cara em um bar, muito antes de te conhecer, depois nunca mais vi a cara dele.
-Não sei não, Kate, pelo jeito que ele te olha, me parece que vocês se conhecem muito bem! Aliás, não digo nada se não foram vocês dois que me armaram essa, ele é da sua laia pelo visto. O que é hein Kate, me conta, ele é seu parceiro?
-Assim você está me ofendendo! Confia em mim, foi só uma vez que eu saí com ele! Quer saber,não te devo explicação nenhuma de quem eu saía antes, isso é problema meu!
-Como é que eu vou acreditar em você, se nem te conheço, não sei nada de sua vida?
-Aé? E onde é que foi parar o “Kate, não importa o que você fez, eu não quero saber, o que importa é o que você é agora”? Cadê Jack, essas foram as suas palavras!
-Eu pensei que te conhecesse, mas pelo visto, eu estava enganado.

Nesse momento, mais uma pessoa chega no galpão. Jack interrompe a briga com Kate e pergunta:
-E você, como te convenceram a vir para cá?
-Minha mulher. Moça ruiva me encontrou na comunidade coreana. Informações sobre a minha mulher. Sun, onde ela está?
Jin falava pausadamente e sem formular as frases direito, não era fluente em inglês ainda.
-E quanto a mim, xerife, não vai me perguntar por que vim aqui? - Sawyer falava de um jeito sarcástico para Jack.
Ele somente olhou para a cara do loiro, estava nervoso e morrendo de ciúmes de Kate. Jack foi para um outro canto, se afastando dos demais. Kate percebeu que ele tinha ficado furioso. Ela estava de cabeça baixa, quando Sawyer se aproximou:
-Hei baby, você sumiu, nunca mais nos vimos...Fiquei com saudades, sabia? Afinal, não é todo o dia que eu encontro uma garota como você, capaz de seduzir e enlouquecer qualquer homem.
-Cala a boca, me deixa em paz!
-Vai posar de boa moça é? Somos iguais, não adianta negar.

Um confuso Hurley entra no local.
-Mas que merda é essa?
-Sei lá, balofo, bem vindo ao clube.
-Dude, ô ô. Isso é pegadinha? Ou será um desses realities shows malucos da TV? Espera, nós fomos tipo, seqüestrados?
-Ninguém sabe de nada. – Kate falou em tom aflito.
-O meu Deus, tomara que não seja um serial killer que nem o Jigsaw!
-Cala a boca! Por que será que todo gordo fala um monte de bobagens?

Sayid chega nesse instante.
-Agora entendi tudo, só me faltava essa! Fomos seqüestrados por terroristas! – Sawyer olhava com desdém para o iraquiano.
-Quem é você? O que sabe sobre Nadia? – Sayid o pegou pelo braço, quase torcendo.
-Sei nada sobre essa daí, o Muhammed, me solta!
Sawyer mal os conhecia e já tinha botado apelido em todos ali.

Jin estava parado em um canto quando ele a viu. Sun entrou no galpão e ficou branca ao revê-lo.
-Sun?
-Jin, foi você que armou isso?
-Armei o que? Uma moça veio ao meu encontro e me disse que eu encontraria a minha esposa.
-Pois eu vim até aqui porque disseram que meu pai corria perigo de vida, pensei que fosse algum negócio sujo dele com um cliente americano!
Jin correu para abraçá-la e então se deu conta de que ela estava com barriga um tanto saliente. Ele ficou pasmo ao notá-la.
-Eu sei que aqui não é hora e nem lugar para discutirmos isso, mas antes que me pergunte, sim, estou esperando um filho seu.
O coreano não pode conter a emoção, sorriu e deu um abraço terno na esposa.
-Óh, que comovente, parece um filme de Ang Lee bem diante dos meus olhos! Mas que porra que eu vim fazer aqui? – Sawyer começava a ficar impaciente.

Kate estava de cabeça baixa quando observou a moça que acabara de entrar ali.
-Claire? Espere aí, você por aqui também? Que brincadeira é essa?
-Você conhece essa moça também? – Jack começou a achar tudo muito estranho.
-Kate, eu é que te pergunto, o que você faz aqui? – Claire estava surpresa.
-Jack, eu fiz o parto dessa moça.
-Você o que?
-Foi uma emergência, ela estava na rua e eu passava de carro bem na hora. Fizemos o parto ao ar livre. Mas Claire, por que você veio?
-Uma mulher ruiva e um rapaz disseram que estavam interessados em adotar o meu filho. Me deram esse endereço, pensei que fosse o local de trabalho/empresa deles.

-Boa tarde. Onde está o Sr Locke? Sou o Michael, vim aqui conversar sobre o orçamento da reforma que ele pretende fazer na empresa dele.
Todos o olhavam com cara de interrogação.
-O que foi?
-Algum engraçadinho resolveu brincar com nossas vidas e nos confinou aqui. Só não entendo a razão disso tudo. – Sayid explicava a confusão para Michael.
-Pois vocês vão entender agora mesmo.

Finalmente Locke, Faraday e Charlotte entraram. Todos olhavam sem entender nada. Eles começaram a explicar tudo o que se sucedeu. Locke contou sobre o vôo 815, todos ficaram surpresos ao saberem que estavam no mesmo avião. Falou sobre a ilha, resumiu os acontecimentos de lá até que chegou no momento em que contou sobre sua morte e o fato de ter acordado de novo no vôo.
-Mas isso é ridículo! Não faz o menor sentido! – Jack estava inquieto ao ouvir toda a explicação de John.
-Acha mesmo Jack? Como é que você explica o fato de todas as mortes que aconteceram antes estarem ocorrendo tudo de novo?
-Primeiramente, pode ser invenção sua, você pode ter lido sobre a morte dessas pessoas no jornal e ter criado todo esse passado para elas.
-E como se explica o fato de que as pessoas que morreram nos últimos meses, todas eram passageiras do nosso vôo?
-Coincidência. Todo o mundo está propenso a morrer, você soube dessas mortes porque essas pessoas moram aqui em LA. Quem te garante que outros vôos em que você já viajou também não houve mortes?
-Eu acredito nele. Digo mais, tudo isso pode ser culpa minha. Foi por isso que ele me chamou. Ele disse que eu tinha que vir aqui, ele sabia que eu era uma pessoa especial. Então era isso, foi por causa dos números, não foi? – Hurley começava a elaborar um monte de teorias na cabeça.
-Para mim já chega desse teatro de malucos, eu vou cair fora!
-James?
Sawyer sentiu um arrepio, como aquele careca sabia o seu verdadeiro nome?
-Seu filho da mãe, quem raios é você?
Ele pegou John pelo colarinho. John indicou-lhe um envelope.
-Tudo bem, pode ir embora. Mas eu não menti para você, dentro do envelope tem informações da pessoa que você procura.
Sawyer pegou o envelope e saiu de lá enfezado. Chegou em casa e abriu. Retirou uma foto, com endereço e nome do verdadeiro Sawyer atrás. Assim como da 1ª vez, Locke o incentivou indiretamente a matar o seu pai.

No galpão...

-Tudo o que aconteceu vai acontecer de novo. Podem escrever.
Depois de horas com teorias, Daniel, John e Charlotte não conseguiram convencê-los de que falavam a verdade.
-Eu vou embora, já chega disso tudo, não acredito em uma palavra.
-Jack, eu não estou surpreso, sabia que você não iria acreditar. Mas o que me deixa mais tranqüilo é que um dia você vai acreditar, tenho certeza disso.
John abriu um sorriso para ele. Jack o olhou de forma estranha, pensou estar diante de um louco ou esquizofrênico.
-Espera Jack, eu vou com você!
-Não precisa.
Kate saiu do galpão logo após Jack.
-Jack, por favor, vamos conversar direito.
-Já conversamos, Kate. Acho melhor não nos vermos mais.
-Você vai jogar tudo o que vivemos por causa que não consegue suportar o meu passado?
-Kate, eu já passei por isso antes, não quero mais ficar com alguém em que eu não possa confiar.
Ele foi embora, deixando Kate sozinha.
Jin e Sun saíram dali e foram conversar. Tiveram uma conversa franca, Jin contou o que fazia para o pai dela e ela lhe contou tudo, sobre a traição, as aulas de Inglês, o plano da fuga. Jin pediu um tempo para absorver toda a verdade. Horas depois, ele falou novamente com ela. Decidiu perdoá-la. Os dois reataram.

Sayid saiu de lá com a pulga atrás da orelha. Já tinha visto muita gente mentir e aqueles lunáticos pareciam dizer a verdade, o que não fazia qualquer sentido no momento para ele.

Michael ficou impressionado com a história, mas tinha problemas demais com o seu filho para perder tempo pensando em teorias de doidos desconhecidos.

Claire ia embora quando Kate lhe ofereceu uma carona.
-Quer dizer que você resolveu colocar o seu bebê para a adoção? Não se preocupe, não estou te julgando, foi só uma pergunta.
-Vou sim. Eu estou sozinha, o pai dele me deixou quando eu estava com um barrigão, não agüentou a barra. Não tenho condições de criá-lo.
-E você não tem mais ninguém, família?
-Minha mãe mora na Austrália, ela está em coma há meses. Minha tia está lá cuidando dela, eu nem quis contar sobre a minha gravidez para ela. Mal conheci meu pai, sei que ele chegou a pagar as despesas do hospital da minha mãe, mas depois minha tia disse que não soube mais nada dele.
-Sinto muito, Claire.
-Chegamos, minha casa é aquela ali.
-O bebê deve estar grandão já.
-Ele está sim. Você quer vê-lo?
-Eu não sei. Ah, quer saber, posso dar uma olhadinha nele sim, quem sabe eu me acalmo um pouco.
Kate acompanhou Claire. A loira mostrou Aaron e fez questão que ela o pegasse no colo.
-Não, eu não levo jeito.
-Pega, pode ficar tranqüila.
Kate pegou Aaron. A emoção foi grande, sentir aquele ser pequenino se mexendo em seus braços. Ele a olhava, prestando atenção. Suas mãozinhas macias alcançaram a corrente que ela usava, Aaron deu um sorriso gostoso.
-Ele é tão lindo!
-E parece que gostou de você, olha só o sorriso dele!
-Claire, você vai mesmo ter coragem de deixar essa coisinha tão fofa?
-Às vezes eu penso que não, principalmente quando estou amamentando ou quando ele dorme no meu colo. Mas Kate, tenho que pensar racionalmente, ele não terá um bom futuro ao meu lado, não tenho como criá-lo.
-É uma pena, vocês dois ficam lindos juntos. Tenho que ir agora. Boa sorte para você.
-Kate, mais uma vez obrigada por tudo. Acho que você foi um anjo da guarda que Deus colocou no meu caminho. Ah, e não fique chateada, os homens são assim mesmo.
-Do que você está falando?
-Do rapaz moreno que estava lá, ele é seu namorado, não é?
-Eu nem sei mais o que ele é depois da briga que tivemos hoje.
-Não esquenta a cabeça, vou torcer para vocês se acertarem.
-Tá legal. Adeus Claire. Até algum dia!

No galpão...

-Sinto muito, John, não é fácil explicar essas teorias complicadas para leigos.
-Tudo bem, Daniel. Parece que só nós 3 estamos interessados em resolver o enigma.
-É como eu te disse antes, talvez não possamos mudar. Quer dizer, é como na matemática, temos variáveis, mas temos constantes. Só temos o poder de trabalhar com as variáveis.
-É caro Daniel, as constantes ficam por conta do destino.
CONTINUA...